Não é para ser um pensamento triste, é só um pensamento…

Às vezes, depois de velho, depois de grande, depois de forte, quase gigante, a gente experimenta a fragilidade de ser indefeso diante da vida.

É um pensamento passageiro… Talvez seja até bom dar passagem para esses momentos em que a gente se despe de toda a couraça da resistência e fica ali, quietinho, se permitindo ser impotente por uns instantes.

Você já pensou em desistir? Eu já.

Já disse mentalmente inúmeras vezes: “pra mim não dá mais, chega!” E mentalmente eu saí andando, só com a roupa do corpo, sem destino, sem plano, só me pus a caminhar me derramando em lágrimas descontroladas, até me sentir vazia.

Depois, quando dei por mim, a caminhada era imaginária, mas as lágrimas reais e sinceras fizeram escoar toda aquela angústia teimosa que pairava no peito, espremendo minha capacidade de ser otimista, acima de tudo.

Já pensei sim, em desistir. Mas não fui corajosa o bastante para isso. É preciso coragem para largar tudo, todos, se encolher numa caixinha e deixar a poeira do tempo encobrir nossa falta de habilidade em lidar com a realidade.

Eu não sou tão corajosa assim…

Então no máximo, sento um pouco no meio do nada, me permito a fragilidade que carrego escondida dentro de mim, choro, me derramo, me desmancho, olho pro nada e me vejo indo embora, deixando tudo pra trás, vendo uma estrada de infinitas possibilidades e sentada no meio dela, cansada e caída, eu recuso toda forma de seguir adiante.

Desisto de tudo, até que um ruído qualquer rompa essa imersão em mim e me traga de volta à realidade. Seco o rosto e o pescoço encharcados de lágrimas e lentamente ergo a cabeça olhando pro lado. Fiquei vazia o suficiente para não ter coragem de desistir… Nem sei mesmo como fazer isso…

Tudo o que sei fazer é me esvaziar, e depois continuar caminhando. Frágil por dentro… Mas quase ninguém sabe, e não vou contar pra mim.

Imagem de capa: Dmytro Khlystun, Shutterstock

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Luciana Marques

Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior.

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