As pessoas otimistas também precisam chorar

Mesmo as pessoas otimistas, cheias de energia e ensolaradas, sabem o que é passar por uma depressão. As pessoas que iluminam os outros com os seus sorrisos, com a sua franqueza e alegria de viver, precisam desabafar, chorar e curar as feridas; juntar os pedaços e os abismos internos. Dessa forma, continuarão mantendo a sua resiliência, o seu otimismo racional, objetivo e forte para enfrentar qualquer dificuldade.

Se dissermos, neste exato momento, que a visão que geralmente temos das pessoas otimistas é um pouco tendenciosa, não cairíamos em nenhum erro. Todos nós conhecemos alguém que tem a capacidade de transformar o difícil em algo fácil. São pessoas que nos trazem encorajamento, esperança e apoio. Seja para os amigos ou familiares, sempre têm “um palavra positiva”. Parece que a adversidade ou a complexidade da vida não existe para elas.

Nós acreditamos que as pessoas otimistas nasceram com uma “estrela” e que já vieram ao mundo com todas essas habilidades maravilhosas. No entanto, a realidade é muito diferente, e ao mesmo tempo interessante. Existem dois tipos de otimismo. O primeiro, Martin Seligman, pai da psicologia positiva, chamou de “otimismo cego”. É uma abordagem em que a pessoa acredita que não importa o que aconteça, tudo ficará bem, dando forma a um comportamento com pouca responsabilidade pessoal, onde basta confiar no bom trabalho do destino.

Por sua vez, o polo oposto seria o “otimismo racional”. A pessoa está ciente de que a positividade, por si só, não provocará mudanças. Ser otimista é, acima de tudo, ter uma perspectiva, não desanimar diante do fracasso ou pelos pensamentos de derrota que ele acarreta.

Além disso, é importante saber que o otimismo é um comportamento/atitude que pode ser construída. O nosso cérebro tem uma tendência natural de dirigir a nossa atenção para possíveis ameaças externas que possam comprometer a nossa sobrevivência. O otimismo, portanto, deve ser treinado e trabalhado diariamente. Dessa forma, conseguiremos fortalecer o nosso caráter, aprender com as dificuldades e saber como gerenciar as nossas emoções nos momentos difíceis que todos nós, mais cedo ou mais tarde, teremos que enfrentar.

Como ser otimista em tempos difíceis

As pessoas otimistas não são necessariamente ingênuas. É verdade que muitas delas praticam essa positividade vazia, na qual se limitam a respirar profundamente e a confiar, ao mesmo tempo em que são espectadores do que acontece nas suas vidas. No entanto, muitas outras pessoas utilizam essa positividade para a ação. Dizemos isso porque é muito comum ter uma ideia equivocada do que é e de como funciona o otimismo: no segundo caso, estamos diante de uma importante dimensão psicológica que merece ser aprendida.

A “Associação Americana de Psicologia” realizou uma pesquisa há alguns anos para avaliar como a atual crise social e econômica impactava a população em geral. A partir desta avaliação foram obtidos dados tão interessantes quanto úteis. Descobriu-se que o grupo mais afetado são as mulheres. São elas que mais apresentam sintomas psicológicos como: estresse, ansiedade, dores de cabeça, fadiga, distúrbios alimentares…

Em um mundo em crise, a desigualdade salarial e as oportunidades de emprego recaem principalmente no gênero feminino, e é por isso que é necessário abordar esse problema por diversos aspectos.

A “Associação Americana de Psicologia” queria descobrir, em segundo lugar, quais eram as estratégias que essas mulheres utilizavam para lidar com um momento tão complexo, para chegar aos poucos em uma posição de relevância ou poder.

O otimismo resistente

Quando essas mulheres explicaram todos os mecanismos de enfrentamento cotidianos que utilizavam, os psicólogos identificaram esse conjunto de dinâmicas sob o termo “otimismo resistente”. Não era mais o otimismo racional do qual Seligman falava na sua época. Na verdade, agora seria necessário dar um passo adiante. Estamos em um momento onde é necessário integrar novas estratégias psicológicas para podermos nos manter à tona nestes tempos difíceis. Abaixo, citaremos algumas dessas estratégias:

– Permanecer fiel às ideias nas quais acreditamos hoje.

– Aceitar as emoções negativas: ouça a sua mensagem e gerencie de forma inteligente a energia que ela lhe traz.

– Entender que viver é passar por várias experiências, mesmo que muitas não sejam positivas ou agradáveis.

– Os momentos difíceis devem ser vistos como desafios, aprendizados para continuar avançando.

– Combinar tenacidade com resistência, motivação com praticidade, criatividade com oportunidade.

– Além disso, considere que muitos de nós vivemos em ambientes onde reina o pessimismo. Se realmente queremos desenvolver um otimismo resiliente, será necessário mudar o cenário, reduzir o impacto que essas pessoas têm sobre nós ou até mesmo nos afastarmos delas…

Pessoas otimistas, pessoas corajosas

Analisando todos esses dados, chegamos a várias conclusões. A primeira é que todos aqueles amigos ou parentes que consideramos otimistas por natureza nem sempre foram assim. Talvez eles tenham aprendido a ser otimistas e a lutar diariamente para manter essa perspectiva, essa abordagem vital que admiramos tanto.

Por outro lado, é necessário entender que o otimismo mais lógico, mais resistente e racional também tem seus momentos de fraqueza. Na verdade, muitas pessoas que se curaram de uma depressão acreditam que são muito fortes, pensando que o otimismo as cobriu com uma camada de invulnerabilidade, ao estilo de um verdadeiro super-herói: capaz de superar todas as necessidades e cumprir todas as obrigações. Quando na verdade, mesmo o mais valente tem seu ponto fraco, a sua kriptonita.

Portanto, vamos tentar ter uma visão mais útil do positivismo. Entenda que o otimista não guarda ressentimentos ou rancores, não ignora os desafios do presente e aceita que a adversidade existe e deve ser enfrentada. As pessoas otimistas se cercam de bons amigos, sabem como agradecer e perdoar, e acima de tudo, escolheram o otimismo como bandeira e vivem dessa forma, porque embora existam alguns traços de personalidade que favoreçam o otimismo, ser otimista tem mais a ver com a reflexão e a prática.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

Imagem de capa: fizkes, Shutterstock

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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