A insegurança que ela sente em não saber se é ele mesmo que ela está esperando

Isso já havia acontecido antes: acordar e alguém ser seu primeiro pensamento do dia, ficar conversando por horas e o assunto não acabar, rir quando estão juntos e fazerem brincadeiras que deixam o outro constrangido. Ela já conhece o início, o meio e o fim da história, e a última parte, como sempre, é que a mais dói e deixa cicatrizes, pois quando a pessoa vai embora e bate a porta frequentemente seu coração estava ali entre a maçaneta e a fechadura. Seu coração é aquele que não aceita o término de uma possível grande história de amor e não entende como que novamente deu errado, como que ela é tão diferente das outras pessoas que conseguem o que tanto querem e são aparentemente tão felizes ao lado de quem amam. Ela queria sentir isso também, ter isso também, mas até agora não teve muita sorte no quesito amor romântico.

Mas desde o dia que conheceu mais a Deus e as suas promessas ela aprendeu a ter mais paciência, calma e esperança de que um dia, ah esse dia, iria chegar até ela aquela pessoa por quem orava todas as noites para ter. Então ela estava decidida a esperar, a não se entregar a qualquer um, a ter fé e menos medo, a se valorizar e saber que não merece ser uma página na vida de ninguém, pois quer escrever um livro inteiro ao lado de seu futuro amor, porém algo aconteceu e ela sentiu que já tinha assistindo a esse filme umas dez vezes na sessão da tarde. Um rapaz apareceu de mansinho e aos poucos foi mostrando partes de sua personalidade que ela gostaria tanto de ter em seu cônjuge, e ouvindo-o contar seus sonhos, seus medos e vontades percebeu que compartilhavam muitas semelhanças, mas ela se manteve quieta e não dizia que eram tão parecidos, pois não queria correr nenhum risco de cair com a cara no chão.

Mas a amizade, cumplicidade e intimidade foram crescendo entre eles e isso começou a assusta-la, pois a sua mente logo ligou aquela situação a momentos passados aonde algo parecido acontecia e ela se sentia nas nuvens para logo ser derrubada em uma poça de lama. Ela queria poder acreditar que dessa vez seria diferente, que ele não era como os outros que se aproximavam para logo depois perceberem que ela não era e nunca seria o que eles queriam, e então iam embora de fininho sem levantar rumores ou suspeitas até que ela percebia que o lugar estava vazio ao seu lado. E essa rotina havia a cansado, pois se sentia desgastada emocionalmente em deixar o coração aberto para conhecer novas pessoas e depois ver que ela não correspondia as suas expectativas, pois só tinha que ser esse o motivo já que eles iam e não davam explicação. Por isso havia decidido se fechar até que recebesse algum sinal divino de que a pessoa certa estava ali na sua frente e que finalmente poderia deixa-la entrar.

Entretanto, alguém novamente havia se aproximado e a conquistado, mas ela não vira e nem ouvira nenhum sinal de que era ele. Porém sentia algo diferente nesse moço, ele tinha uma mistura daquilo que ela precisava e do que ela queria, pois ele era paciente enquanto ela era agoniada, era carinhoso enquanto ela um pouco fria, era fofo enquanto era poderia ser uma ogra ás vezes, e também era simples, focado, responsável e tinham a mesma fé e mesmo amor intenso por Deus. Então o que estava faltando? A certeza. Não poderia cogitar dar esse passo rumo ao desconhecido quando já havia o dado antes e fez uma grande decepção inundar sua vida. Não poderia criar expectativas quando não aguentava mais ficar sem criar novelas na cabeça e pensar que poderia ser essa a sua hora, finalmente!

Porém planejar algo sozinha estava fora de seus planos, pois já fizera isso e acabara construindo um castelo para depois vê-lo sendo derrubado pelas ondas do mar bravio. Por isso ela resolveu ter calma e saber que aquele velho clichê ainda deve funcionar: se for para ser será. Sim, simples assim. Forçar? Não mais. Insistir? Que isso! Não. Iria talvez regar um pouco mais a rosa que crescia em seu peito, porém com cautela e sabendo que a qualquer momento poderia arranca-la pela raiz. Pois se teve uma coisa que aprendeu com o passado é que ela não deveria insistir em pedir amor a quem não queria lhe dar, que isso era um ato humilhante de mendigar o que deveria ser dado livremente quando se deseja alguém, mas se não foi livre então era sinal de que não era para ser seu e sim só alguém que deveria ir logo antes de fazer estragos maiores. Mas que a culpa não era necessariamente da pessoa que se foi e nem dela que ficou, pois as pessoas podem pertencer a outras e serem destinadas a serem felizes com elas.

Portanto, decidiu que vai sim deixar uma brechinha aberta na esperança de ser esse, mas vai continuar orando e pedindo a Deus que lhe dê confirmações, pois ela não irá dar um só passo se não for da vontade Dele, pois ir sem Deus é saber que irá quebrar a cara no minuto seguinte. E que Ele como seu Pai a ama tanto que não a quer sofrendo novamente por ser precipitada e deixar a carência falar mais alto que a sua voz que pede para ela ficar calma. Assim, ela não irá se afastar dele como imaginou que faria, pois pensou que seria melhor evitar novos machucados antes deles ocorrerem, mas sabe que fugir não é a melhor opção e que correr riscos faz parte da existência humana. Por isso ela agora é uma mistura de cautela com aproximações, de timidez com vontade de abraça-lo, de risos com assuntos sérios sobre seus futuros, e sabe que se não for para ser um grande amor romântico será um grande amor de amizade, e que poderá ser bem feliz se for esse o propósito de Deus em sua vida.

Imagem de capa: Michal Plachy, Shutterstock

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Tatielle Katluryn
Nessa existência já há 20 anos, com sangue Maranhense e coração pertencente ao céu. Sou cristã e estudante, apaixonada por livros do séc. XIX e Astronomia. Escrevo desde os 13 anos, mas nunca imaginei que a escrita faria parte da minha vida e hoje não passo um dia afastada das palavras. Mas nada disso é mérito meu, pois Deus me chamou para falar aquilo que Ele quer dizer as pessoas, para levar a paz a corações como o meu.

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