A vida é um presente

Agradeço, agradeço sem parar por tudo que o universo me dá. Minha saúde, meus amigos, minha família, meu trabalho, meu amor. Agradeço, pois aprendi o quanto a vida é efêmera e como a gratidão nos torna maiores. O tempo é mesmo um grande aliado para quem descobre que ele está sempre a nosso favor, que nada acontece por acaso e que nada poderia ser diferente do que é.

Quando sofremos, e fazemos isso muitas vezes, não nos damos conta de que sempre sobrevivemos e sempre saímos mais fortes dessa experiência. Acredito que se chegou até mim, olha só, se chegou até mim é porque posso carregar. E nenhuma cruz será mais pesada do que a força absoluta que deixa minha coluna em pé.

Agradeço, pois sei que a vida cobra lá na frente e toda ingratidão, ainda que seja perdoada, terá nos levado a preciosidade do tempo que não perdemos. “Entrego, aceito, confio e agradeço” – como diz aquela frase, é isso que nos torna gigantes diante das dificuldades, ainda que a gente caia feio no chão.

É claro que a ferida arde, mas também é certo que ela cicatriza. Diante disso, só tenho duas opções: ou me movimento para que pare de sangrar ou vou abrindo o machucado para que cure bem devagar. Acredite: quem escolhe o caminho é justamente quem caminha nele.

Está na hora de pararmos de reclamar, de centrarmos nossa energia naquilo que nos move para frente. Talvez eu não crie alguns dos fatos que chegam na minha vida, mas eu decido que significado darei a eles. Esse aprendizado não nasce com a gente, mas está o tempo todo batendo na nossa cara e dizendo: “ei, você, o que está fazendo da sua vida?”

Parece fácil falar, eu sei. Mas já vivi na pele os dois lados. Já prolonguei minha dor por me achar – inconscientemente – merecedora dela. Já reabri feridas cicatrizadas apenas para sofrer mais um pouquinho – e nem sequer me dava conta disso.

Você aceita apenas aquilo que acha que merece. O que acontece? Vamos nos contentando com os amores pela metade e começamos a empurrar com a barriga essa vida mais ou menos que a gente leva. E se a gente só leva da vida a vida que a gente leva… bom, não preciso dizer onde essa história termina, né?

Faz algum tempo que entendi como isso funciona e mudei a minha forma de ver o todo. Quando um problema me aflige, quando uma dor me corroí ou uma angústia me pesa, olha só, respiro fundo, mudo o pensamento e coloco toda energia no amor que tenho dentro do peito. Aquele que dou e também o que recebo.

E me dou conta de que existe muito mais felicidade do que tristeza no mundo – ainda que esse mundo esteja tão complicado. E percebo que as flores nascem nos desertos mais áridos e que também podem morrer pela falta de cuidado. Acontece que as flores não podem abraçar a si mesmas.

A gente pode.

A dores da vida não acabarão, pois elas fazem parte da nossa passagem por aqui. Acredite você ou não, estamos todos apenas fazendo uma viagem, pelo menos eu acho. Temos tantas obrigações no dia a dia que esquecemos da principal: a felicidade.

Aceite os desafios da sua vida e encare-os como uma experiência edificante. É isso que eles são. Tire o maior proveito da dor e mostre a ela que você a usou – e não o contrário. Não posso impedir um ou outro problema de me atravancar o caminho, mas sou dona dos meus pés e posso optar a forma como passarei por essas provações.

É fácil? Claro que não, afinal, nunca ninguém disse que seria fácil. Fácil é sentar “no trono de um apartamento, com a boca escancarada e cheia de dentes, apenas esperando a morte chegar”, como disse Raul. Eu vim nessa vida para viver, ora bolas”

Meu poeta preferido já explicou que “a vida só se dá pra quem se deu, pra quem viveu, pra quem sofreu”. E se Vinicius disse, quem sou eu para duvidar? Não quero pegar carona nas asas de um cometa, não é nada disso. Quero sentar na cabine do piloto, ajustar os controles, montar a rota e levar as pessoas mais maravilhosas nessa loucura deliciosa que é a vida.

A dor faz parte do percurso, mas não precisa lhe acompanhar na viagem. Liberte-se dos nós e troque-os pelos laços mais bonitos que encontrar pelo caminho.

A vida é um presente. Enfeite-a.

Imagem de capa: Andrey Bondarets, Shutterstock

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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