Quem dera a vida tivesse rodinhas

Por Isabela Nicastro – Sem Travas na Língua

Quando eu tinha uns 11 anos, meu pai chegou em casa com a ideia de tirarmos as rodinhas da bicicleta. Afinal, eu e minha irmã já estávamos grandinhas para precisar delas. Só que a ideia não me agradou muito. Era tão bom andar daquele jeito, com aquela segurança. No entanto, a vontade de meu pai para que tentasse não me fez hesitar.

Tentei uma vez, cai. Tentei a segunda, cai de novo. Por fim, na terceira tentativa consegui andar alguns metros sem as rodinhas, até que me desequilibrei novamente. Felizmente, com o passar dos dias, os tombos foram diminuindo, a apreensão da minha mãe deu lugar à tranquilidade e a minha insegurança deixou de existir.

Passados alguns anos, o medo não depende mais das rodas. É preciso encarar a primeira vez de várias situações, muitas vezes sem um apoio e independente do encorajamento dos meus pais. Na última semana, comecei um trabalho novo. Diante de tantas mudanças, é impossível não temer. Muda a rotina, o caminho para o trabalho, a mesa, o ambiente e os colegas.

Definitivamente, você abandona a zona de conforto para lidar com novos desafios. E olha, não é nada fácil. Seja um novo emprego, um novo romance, um novo problema. O novo nos assusta e, ao mesmo tempo, nos faz evoluir. Dói sair da zona de conforto. Mais do que isso, dá um desespero ter que enfrentar as quedas, porque é fato que, em algum momento, elas virão.

E quem dera elas sejam tão simples como os tombos da bicicleta sem rodinhas. Elas não nos criam hematomas, mas nos fazem sangrar na alma. E por medo delas, recuamos. Desistimos de encarar, sofremos por antecipação. Mas aí, nessa hora, existe um pai para te encorajar, amigos maravilhosos para te apoiar e uma força interna que você nem ao menos conhecia.

É preciso coragem. Aquela mesma que pude sentir ao encarar a bicicleta sem rodinhas. A vida não possui aparatos de apoio. Por isso, dê um jeito de criar o seu.

Fonte indicada: Sem Travas na Língua

Imagem de capa: Maksim Ladouski, Shutterstock

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Isabela Nicastro

Capricorniana, 23 anos, jornalista. Apaixonada por mar, cães e cafés da tarde em família. Não dispenso bacon e muito menos uma boa história. Meu coração é intenso e grita mais do que a razão. Tenho o sentimento como guia e a escrita como ferramenta.

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