Quando o amor e a empatia saem pela porta, as dores emocionais entram pela janela.

Se cada indivíduo pudesse tomar consciência do que existe por trás da própria dor, ele se daria conta de que, basicamente, a ausência do amor é o grande responsável pela quase totalidade das angústias dele. O que dói no ser humano é aquilo que o afasta da sua essência, que é predominantemente agregadora. Tudo aquilo que nos desagrega, nos causa sofrimento.

Sofremos pelos desentendimentos nas relações familiares, pois a nossa alma grita para que estejamos juntos e em harmonia, vivendo numa atmosfera de retroalimentação afetiva. A nossa família é o nosso primeiro núcleo social, o nosso nicho afetivo, então, uma vez que esta teia de afeto é ameaçada ou desintegrada, a dor faz morada em nós, seja na condição de inquilina, nos casos de crises passageiras, seja como proprietária, nos casos em que as fragmentações familiares são cristalizadas, ficando claro a falência dos vínculos relacionais tão significativos que um dia existiram.

Basicamente, tudo o que nos faz sofrer está vinculado ao desamor, à dificuldade de integração, ao sentimento de exclusão ou abandono e às dificuldades que envolvem as nossas relações. Somos seres gregários, precisamos da família, precisamos dos amigos, precisamos de vínculos afetivos para que a nossa vida tenha sentido. Se estamos bem em nossas relações, estaremos bem em tudo, nos sentimos fortalecidos e inteiros. Porém, basta uma crise no casamento, com o filho, com a mãe ou com qualquer pessoa com a qual tenhamos um elo significativo, para nos sentirmos desestruturados emocionalmente, o que poderá evoluir para ocorrências extremas como o suicídio.

E pensar que cada um de nós carrega, em si, a cura para todos os males da alma, da nossa e do outro. Ocorre que, lamentavelmente, existem inúmeros concorrentes atuando contra a prática dessa cura. Exatamente isso, há um time gigante e bem articulado que conspira contra o amor, eis alguns dos seus integrantes: o orgulho, a indiferença, o egoísmo, o preconceito, o desrespeito, a intolerância e tantos outros. O amor também possui um time grande, cujos integrantes, estão cada vez mais enfraquecidos em nossos dias, eis alguns deles: empatia, respeito, afeição, compaixão, altruísmo dentre outros. Infelizmente, o time do amor, por falta de treino suficiente, tem se mostrado perdedor nessa disputa, digo isso, porque, se ele estivesse ganhando, não teríamos tantos suicídios, tantos divórcios, tanto consumo de drogas, tantas pessoas que se amam vivendo separadas, tantas famílias fragmentadas etc.

Creio que, se cada um de nós pudéssemos compreender o quanto o amor pode curar, optaríamos sempre por ele. O amor é aquele alfaiate que fabrica as nossas vestimentas mais lindas e que nunca sairão de moda. Vestidos de perdão, teremos a consciência de que não podemos exigir a perfeição do outro, já que também não a possuímos. Vestidos de compaixão, seremos constrangidos na hora em que levantamos o nosso dedo para apontar o outro e julgá-lo, afinal, não somos melhores do que ele só porque o nosso erro é diferente, talvez, o que cometemos em oculto seja bem mais danoso. Vestidos de tolerância, nos lembraremos sempre de que o outro não é obrigado a pensar como nós, tampouco agir da forma como consideramos adequada.

Vestidos de empatia, olharemos o outro como alguém que, assim como nós, possui limitações e potencialidades. O amor é tão mágico que enquanto escrevo sobre ele, experimento uma vivência terapêutica, sim, eu vivo uma cura nesse momento. Em contrapartida, quando escrevo sobre dores, sou obrigada a mergulhar nas minhas e trazer à tona as pessoas que foram ou são agentes causadores delas, então, minhas emoções adoecem, e acontece de eu viver uma “ressaca” de três dias, em média.

Eu me esforço para ser integrante do time do amor, torço, também, para que cada pessoa desse planeta, um dia possa acordar e cair em si, entendendo que o amor será sempre a alternativa mais simples, mais prática, mais barata e, acima de tudo, a alternativa mais gratificante. A inspiração para este texto nasceu durante uma aula de Psicologia Social, ao ouvir do meu professor Josimar Mendes, a seguinte frase: o amor será sempre a melhor saída. Gratidão…até a próxima.

Imagem de capa: Asia Images Group, Shutterstock

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Ivonete Rosa
Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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