O que eu quis

Já achei que uma história ia durar para sempre e não durou nem até o dia seguinte. Já pensei que ia morrer de tanto chorar e já quase fiz xixi de tanto rir. Já me decepcionei muito com amigos antigos, os quais achei que podia contar pra vida toda; e me surpreendi quando “estranhos” me estenderam a mão. Já senti tanta raiva por injustiças que sentia vontade de mudar o mundo; e percebi que o mundo só muda se eu me mudar primeiro. Já tive muito medo de mudanças – hoje vejo que o natural da vida é isso: mudar – mudam as estações, as notícias, as cores do céu mudam todo dia, mudam os estilos, os gostos, mudam os corações. Já quis ser médica, bailarina, fotógrafa, escritora, diplomata; hoje eu só quero ser eu mesma com todos os erros e tropeços que me compõem, e que esse “eu” me leve até meu caminho; Já acreditei demais nas pessoas, confiei demais e me decepcionei. Continuo acreditando demais nas pessoas, confiando e ainda me decepciono, mas não me arrependo. Prefiro acreditar que o ser humano ainda tem solução, que um dia vão descobrir que mentir não leva ninguém a lugar nenhum, que passar o outro para trás é dar uma rasteira em si mesmo lá na frente. Já gostei muito de sorrisos; hoje prefiro os olhares. São os olhos que revelam aquilo que a boca não consegue dizer, são eles que mostram a bagagem de uma vida toda se você prestar atenção, são os olhos que não conseguem mentir. Já tive certeza de que amor pra ser amor tinha que ter flores, chocolates e final feliz com “para sempre”. Hoje, só pelo simples fato de duas pessoas escolherem ficar juntas já acredito que é indício de amor; se elas se respeitarem então, mesmo que não haja flores ou ‘eu te amo’ todo dia, eu acredito que há amor. Já quis mudar de país, de curso, de rumo, a cor do cabelo e não mudei – ainda – quando queremos mudar coisas demais significa que a mudança precisa acontecer, na verdade, dentro da gente. O lance é que temos que ser felizes onde estivermos, como formos e com o que fizermos… Só assim as coisas se encaixarão em seus devidos lugares. Tenho medo de perder pessoas queridas e tenho muito medo de perder a mim mesma. Tenho medo da solidão. Já tive um conceito ruim sobre algumas pessoas e mudei de ideia sobre elas. Já tive conceitos muito bons sobre outras pessoas e também mudei de ideia. Se me perguntassem se eu pensava estar onde estou hoje, responderia que com certeza não. O fato é que a vida surpreende a gente. Às vezes nos tira coisas ou pessoas que amamos. De vez em quando nos surpreende com um agrado. Traz problemas, mostra as soluções. Decepciona, derruba, dá raiva, revolta, indigna, mas também agrada, levanta, dá sentido às coisas, faz com que aquilo que nos pertence nos encontre no meio do caminho. Já pensei em terminar esse texto, mas não sei como acabar. Então eu digo: Já quis e quero muita coisa, já deixei de querer, como vários que estão lendo e essa é a beleza de se viver: poder mudar e mudar sem querer e descobrir que essa mudança foi apenas ao seu favor. Quando a gente acredita o universo conspira, quer a gente queira, quer não.

Imagem de capa: gpointstudio, Shutterstock

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Isabella Gonçalves
Formada em Direito, apaixonada por livros, pessoas e céu cinzento. Escrevo porque gosto e quando quero. Inconstante, dramática, sonhadora. Vejo 100 onde há um. Vejo um onde há 100 vazios. Confiável, confiante, e que siga a vida! Adiante...sempre.

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