Não era primavera, mas você floriu pra mim

Ele era cinza por fora, ela, cinza por dentro. Cinza era a cor daquelas pessoas que na realidade não tinham o lado interno ou externo sem cor, mas tinham uma vida toda de rimas entre amor e dor que acabou desbotando um muito a tela de suas vidas.

Existiam raízes vivas no peito de cada um, raízes dispostas a brotar e florescer, a crescer e colorir seus mundos novamente. Mas não havia quem soubesse regar aqueles corações desertos e secos, habitados por esqueletos desnutridos de amores equivocados.

Talvez um dia, durante o sono, durante o sonho, tenham chorado sem perceber. Talvez estivessem no sonho um do outro e por descuido tenham trocado lágrimas que respigaram em seus corações desertos.

Passado algum tempo, depois da seca e de aprender a conviver com aquele bioma árido em que havia se transformado seus corações, um brotinho verde nasceu.

Ninguém sabe como, mas nasceu e rapidamente cresceu, tomando forma e proporção quase assustadoras. Já não havia mais deserto… Aquele brotinho que crescera tão rápido já dava flores e enchia de cores aquelas vidas tão cinzas.
Ah! As flores… Exalavam um perfume tão impregnante que tomava conta de todo o ar e não era possível respirar sem sentir a presença delas. Como seria bom se aquela primavera precoce durasse!

Ainda não era primavera… Mas não havia mais deserto… Nem cinza. Só um semiárido e uma vontade imensa de cultivar aqueles solos secos, claramente capazes de fazer germinar flor, cor… Amor.

Quando chegasse, não duraria para sempre a primavera. Talvez a chuva viesse e o céu ficasse encoberto algumas vezes com suas nuvens cinza. Mas já não era mais deserto, e eles agora se empenhavam em limpar o terreno, remover as carcaças secas dos equívocos e preparar o solo…

Muito amor brotaria ali. O terreno era tão fértil… Só faltava quem o soubesse cultivar.

Não seria para sempre primavera… Nem cinza, nem seco, nem dor. Era agora a vez de cultivar o amor.

Imagem de capa: NiP photography, Shutterstock

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Luciana Marques

Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior.

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