Autossabotagem: quando o inimigo está dentro de você

A autossabotagem é a tendência a colocar travas, limites e complicações a si mesmo durante o caminho em direção a metas ou objetivos. Se você olhar para trás, talvez encontre vários exemplos de situações onde, sem saber por que nem como, você fracassou no caminho em direção a sua meta. Uma das possíveis explicações deste fracasso é a autossabotagem.

A autossabotagem representa o inimigo dentro de nós mesmos. Talvez nos proteja em alguma medida do fracasso a curto prazo, mas também do êxito. A pessoa que boicota a si mesma cria travas ou freios e, inconscientemente, diz “não vou poder” quando tem que enfrentar momentos difíceis. A seguir, veremos 4 tipos de autossabotagem mais frequentes.

Quais são os tipos de autossabotagem?

1. Negar suas próprias necessidades: “Eu não preciso disso, não quero aquilo”

O primeiro tipo de autossabotagem, e um dos mais frequentes, é o de negar a si mesmo necessidades ou desejos. A autossabotagem se mascara sob frases como: “não me importa”, “não me agrada”, “não quero isso” ou “não me interessa”. Desta forma, a pessoa protege a si mesma de experimentar um fracasso (e aceitar que tem que trabalhar para melhorar suas capacidades) ou de experimentar o sucesso (e aceitar que pode aspirar a mais e merece o reconhecimento).

Neste caso, a autossabotagem acontece quando a pessoa nega que deseja alcançar um objetivo ou nega a si mesma uma necessidade pessoal de forma inconsciente. É muito importante detectar quando realmente um objetivo ou meta não nos interessa e quando é o medo de não estar à altura que provoca o boicote. Porque com esta diferença começamos a criar um escudo pessoal contra a autossabotagem.

“Confiar em si mesmo não garante o sucesso, mas não fazê-lo garante o fracasso.”
-Albert Bandura-

2. Procrastinar: postergar e deixar para amanhã o que você pode fazer hoje

Uma das formas mais eficazes de fracassar, tanto a nível pessoal quanto profissional, é procrastinar: “tenho que fazer alguma coisa, mas farei depois”. Procrastinar é um hábito tóxico, já que provoca a falsa percepção de que “estamos nisso” quando na verdade o que estamos fazendo é postergar indefinidamente a realização de uma tarefa.

Procrastinar funciona como um escudo diante da sensação de incapacidade. É um mecanismo de defesa porque nos protege e impede de nos colocarmos à prova, e nos faz sentir que estamos no caminho em direção à nossa meta. Quando… não há nada mais equivocado que isto.

3. Não ser constante: começar, mas abandonar diante das primeiras dificuldades

A falta de constância é uma das máscaras mais frequentes da autossabotagem. A perseverança é uma capacidade que é preciso aplicar todo dia e pouco a pouco. Começar um projeto e abandoná-lo no caminho garante o fracasso e é um hábito que limita a nós mesmos.

A função da autossabotagem quando deixamos as coisas pela metade é muito clara: se você não acaba a tarefa não terá que avaliar se a fez direito ou não. Existe a possibilidade de que não saia direito e de não sabermos como administrar o sucesso. Em outras palavras, a autossabotagem também protege do sucesso as pessoas que acreditam que não merecem o triunfo pessoal, e por isso boicotam a si mesmas.

4. Criar desculpas na hora de tomar decisões: “não sei o que fazer”

Tomar decisões nos outorga um grau de responsabilidade, o qual varia em função da importância da decisão. A autossabotagem nos protege de nos sentirmos com qualquer grau de responsabilidade, e assim, nos afasta de adotar posições importantes e de poder.

Por isso, evitar tomar decisões é outra máscara por trás da qual se oculta a autossabotagem. Nos impedindo de tomar as rédeas de nossas vidas, erguer a voz e dizer com clareza qual é a nossa decisão. Além disso, este tipo de autossabotagem nos mantém no papel de espectador (e não de ator) de nossas vidas. O perigo de ser espectador de nossas vidas é que esta atitude reforça a ideia de não sermos suficientemente bons para aspirar mais.

Quais são as possíveis causas da autossabotagem?

Estilo de personalidade evasiva

Os animais humanos, diante de uma dificuldade, têm três opções de resposta: enfrentar, evitar ou postergar. Isto é, podemos procurar uma solução para nossa situação (enfrentar), tentar nos convencer de que isso não nos afeta ou não nos incomoda e olhar para outro lado (evitar), ou esperar para ver o que acontece ou como as coisas de desenrolam sem um período de tempo definido (postergar). Embora seja verdade que dar um tempo e não fazer nada é uma estratégia eficaz para encontrar soluções, postergar indefinidamente é um hábito que empobrece a nossa própria autoestima.

Se durante a nossa etapa de adolescência e primeira juventude escolhemos evitar repetidas vezes, o que estaremos fazendo é desperdiçar situações que nos permitiriam adquirir novas habilidades. Tanto se evitamos enfrentar o que vivemos, como se deixamos passar as oportunidades de crescimento que se apresentam, desenvolvemos um padrão de personalidade evasiva.

O padrão de personalidade evasiva se relaciona diretamente com a autossabotagem. Como o hábito é evitar, a pessoa se convence de que “não pode” ou de que alguma coisa “não dá certo”. Isso se deve ao fato de que não tem habilidades, mas não que não tenha a capacidade necessária para superar a situação e crescer a nível pessoal.

Uma pessoa com padrão de personalidade evasiva sente que não é capaz de superar desafios e reforça a si mesma essa limitação. O erro principal se encontra no fato de que não ter habilidades não é a mesma coisa que não ser capaz. É preciso deixar de evitar aquilo que nos faz duvidar de nossas capacidades e se dar a oportunidade de poder crescer como pessoa. Lembre-se: sem desafio não há crescimento.

Baixa autoestima

Ter pouco apreço pelas próprias características pessoais faz com que a gente se ame pouco. Se nos amamos pouco, teremos o costume de desconfiar de nossas capacidades, por isso a relação entre autossabotagem e baixa autoestima.

Uma pessoa com baixa autoestima não se permite a oportunidade de crescer, nem de se exigir um pouco para sair da sua zona de conforto . Ela tem gravado profundamente no seu coração que não merece uma oportunidade, não será capaz de dar o tom ou sente que não é suficientemente valiosa para aspirar um objetivo. Por causa de tudo isso, a baixa autoestima pode ser uma das causas da autossabotagem.

“A tarefa que precisamos estabelecer para nós mesmos não é ter segurança, mas ser capaz de tolerar a insegurança.”
-Erich Fromm-

Entorno familiar superprotetor

Crescer em um entorno familiar que protege excessivamente dos “perigos” do mundo nos leva a incorporar em nossas próprias características psicológicas duas mensagens a respeito de nós mesmos e nossas capacidades. A primeira mensagem é: “minha família me ama, me protege e não estou sozinho/a” e a segunda é “precisam me proteger e ajudar porque sozinho/a não consigo e não sou suficientemente forte”.

Desta forma, quando uma família é muito protetora, emite estas duas mensagens que são inseparáveis, e é a segunda que favorece a autossabotagem. Porque a proteção familiar excessiva nos faz depender dos outros para nos sentirmos seguros e capazes de enfrentar desafios.

Então, uma vez chegada a fase adulta, como socialmente temos que ganhar a independência da própria família, aparece a autossabotagem como forma de proteção. A proteção da família é cada vez menor, enquanto a sabotagem se torna cada vez mais presente.

Quais são os efeitos da autossabotagem?

A autossabotagem funciona como um peixe que morde o próprio rabo: como não me permito a oportunidade, não desafio a mim mesmo e, portanto, não ganho em desenvolvimento pessoal. Então, perco a oportunidade de ganhar novas capacidades e melhorar aquelas que já possuo. E por isso, continuo pensando que “não posso”, “não quero” ou “não dá certo comigo”.

Lembre-se de que muitas pessoas (para não dizer todas) têm um “pequeno boicotador” dentro de si e precisam aprender a viver com ele. Este pequeno boicotador sempre irá nos dizer que não somos capazes de alcançar o que nos propomos. Nos fará duvidar até o infinito e nos manterá dentro da nossa zona de conforto. Porque somente desta forma este pequeno inimigo se mantém tranquilo e confortável. O truque está em aprender a ouvir suas dúvidas sem entrar no seu jogo. Sim, de fato, falamos de um trabalho de precisão que com frequência requer uma boa dose de paciência.

Por todos estes motivos que descrevemos, a autossabotagem gera uma sensação constante de incerteza. É um sistema que se perpetua em si mesmo e, por isso, é preciso perceber sua presença e romper o quanto antes o círculo vicioso que o alimenta.

Para superar a autossabotagem você pode melhorar a sua autoestima, detectar seus pontos fortes para ampliá-los e identificar também seus pontos frágeis para melhorá-los. Mas, principalmente, vamos nos dar a oportunidade, esta é a chave principal para vencer a autossabotagem.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

Imagem de capa: Lavazzamoon, Shutterstock

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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