Ainda que você resista, mudar é tão ou mais inevitável que se apaixonar!

31.12.2016 – Eu estava plenamente feliz. Achei que a vida finalmente havia sorrido pra mim, segundo os meus conceitos de “realização”. Meu coração habitado por alguém que, me fez muito bem enquanto pôde, oportunidades prestes a darem as caras, um período gracioso no âmbito familiar. 2017 era pra ser meu ano. Mas, na minha cabeça o meu ano me traria muito sucesso financeiro, profissional e amoroso. .
Não foi bem assim, se considerarmos que estou desempregada, solteira (sozinha) e sem dinheiro.

Hoje, prestes a completar 25 anos eu resolvi fazer uma verdadeira análise de tudo que vivi até aqui. Esse lance de 1/4 de século e os 25 marcarem uma transição na vida da gente, é realmente verdade e estou passando por essa experiência.

Toda vez que alguém me perguntava (por volta dos 15 anos) como eu me via dali 10 anos, eu entregava aquela resposta automática de bem sucedida, casada e com ao menos 1 filho nos braços. Só pra entendimento, tive o prazer de viver e conviver com meus bisavós, e venho de uma família um tanto conservadora, então, nunca tive outra visão de mundo antes dos 30.
Numa ânsia desenfreada em busca desse modelo de vida, tropecei em todas as tentativas. E perdi realmente a conta de quantas vezes eu tive que levantar e voltar pra realidade. Até então, eu encarava minhas tentativas frustradas como fracasso. E gerei o hábito de buscar respostas em total desrespeito ao meu eu, numa luta diária com pensamentos acelerados. Eu vivia num futuro repleto de preocupações sem nem sair do lugar no presente. Eu, que sempre tive uma carta na manga, me vi em desespero. Cheguei ao ponto de simplesmente paralisar aos prantos e perguntar: “O que é que eu faço agora?”.
Mas, mesmo com o pensamento acelerado e ansioso por entender todas as coisas que estavam acontecendo, eu consegui me sentir bem comigo mesma quando tirei a areia dos olhos e me virei pra encarar as estórias passadas, e assim me compreender mais, me conhecer mais e me amar mais por isso. Eu sempre fui taxada de louca nos meus relacionamentos. E hoje, acho a coisa mais cômica, porque os coitados não sabiam lidar com tamanha eletricidade. Mas, até eu mesma entender essa loucura, me odiava por ser a “responsável” pelos términos.

Nem sempre fui uma boa namorada, culpada, confesso! Mas, tive o prazer de reencontrar pessoas que verdadeiramente experimentaram a minha eletricidade. Essas pessoas me fizeram entender que, por mais que eu não soubesse muito bem lidar com minha própria intensidade, as pessoas que se relacionaram comigo (inclusive elas) eram tão frígidas que nunca iriam compreender a minha forma de ver a vida. E me agradeceram por ter “temperado” a vida delas. Outras no entanto, continuam por aí me achando arrogante. Não me importo mais. As pessoas que dedicaram um olhar sem julgamento às minhas intempéries, continuam em minha vida, ainda que não estejamos mais juntos.

Eu também uni quebra cabeças. Famílias. Amigos. Mesmo que não da forma como eu queria, amorosa e amigavelmente. Mas, uni. E o resultado é o relevante. Já ouviu a frase: “há males que vêm para o bem?”; então, eu já fui o mal para o bem, na vida de alguns. Assim como os que mais me desconstruiram, contribuíram anos luz com meu desenvolvimento pessoal.

Eu não acredito em coincidências. A meu modo de ver, todas as pessoas que entram em nossas vidas, entram por algum motivo. Mas, quem acredita em coincidência é preguiçoso demais pra procurar propósitos ou entendê-los. Segundo Albert Einstein, só existem duas maneiras de viver a vida, uma é acreditar que tudo é um milagre, a outra é acreditar que milagres não existem. Sou adepta da primeira opção. Os últimos 10 anos da minha vida foi um verdadeiro milagre de transformação de um ser humano.

Várias situações se repetiram até que eu enxergasse o milagre nelas escondido. Eu, naquela minha ânsia de ter alguém, acreditei que só por ter tido carinho fui verdadeiramente amada. Achei que a forma mais autêntica de ter alguém era insistindo. Acabei vencida pelo cansaço. E hoje sei que nunca estive realmente pronta. Sofri com paixões fugazes, que teriam sido menos dolorosas se eu simplesmente tivesse deixado passar. O ato de agarrar tudo que eu achava que era ou deveria ser meu, me deixou cicatrizes profundas.

Até esses últimos dias eu repeti o erro, porém com uma vontade enorme de não fazê-lo. Minhas fantasias convictas de amor e meus pés cansados me fizeram ir e voltar, até me convencer de que eu poderia fazer diferente dessa vez. Deixar ir e dar à vida a liberdade de me trazer de volta, caso essa seja sua sentença. Afinal, o que começa errado, tropeça em muita coisa, e não tem chances de durar. Me doeu, minha criança mimada interior gritou, esperniei, não me conformei. Sai de um jeito doloroso, mas sai. Fugi. Cortei contato. A ansiedade me sufocou. Pedi perdão, me perdoei e só, aguentei. Deixei ir. Ainda não sei como serão os dias daqui por diante. Mas, sei que agora, quando for pra ser, estarei verdadeiramente pronta, por reconhecer e aceitar, pela primeira vez na vida, que no momento não estou.

O pensamento que me emburrecia já não me habita mais, sobre “deixar o amor da minha vida passar”. Enxergando-o em qualquer um que se aproximasse, eu não permitia minha cura completa. Hoje consigo dizer não, apesar de meus instintos, vontades, atrativos, sem que isso me cause angústia.

O amor do meu momento, passou, mas continuo aqui e lá, independente do que nos separa.

Parei de querer viver o futuro no agora. E apesar de aflita, pela decisão, estou em paz com o que é certo. Já reencontrei muitas pessoas numa certa ironia do destino, e as que não, não tinha mesmo de reencontrar. É assim. Tudo permanece no tempo de sua utilidade e o que acontece, acontece no tempo certo.

Até as mágoas se dissolvem com o tempo, quando o outro marca de forma bonita a vida da gente. O tempo tem a magia de nos lembrar que o outro, assim como nós, erramos e dizemos coisas abruptas na hora da raiva.

Com relação ao meu eu, profissionalmente falando, sempre fui muito ambiciosa, de forma egoísta e arrogante. Mas, recebi aquele tapa na cara que a vida costuma dar à pessoas assim, uma hora ou outra. Aquele de deixar largado no chão e te tirar tudo! Pra que você possa olhar com compaixão, humildade e gentileza para a frase “as coisas não são e não tem de ser como você acha ou quer que elas sejam”. É você quem tem de se adaptar à vida e não ela à você, ou suas vontades. A rebeldia se foi quando, quem era cheia de si, se viu sem opções. O diploma que um dia humilhou, hoje se humilha enterrado na gaveta. Eu já estive no topo, e por querer mais do que me era permitido, não me satisfiz, errei o degrau. E o tombo? Ah esse foi grande.

Se é que eu posso te dar um conselho, valorize seu trabalho. Você não acorda todos os dias só pra servir, mas também pra ser servido. Caso contrário você não paga contas, não compra mimos pra você e quem você ama ou garante aquelas geladas do final de semana. Não dá nem pra se sentir gente, assistindo netflix por tempo prolongado.

Outro insight que a passagem para os 25 me trouxe, foi sobre fantasiar sonhos e fazer acontecer. Eu sempre fui muito infantil nesse quesito (e, meu Deus, que evolução admitir tudo isso) ao esperar que oportunidades batessem à porta, só porque me achava merecedora. Gosto da frase que diz “nunca desista de um sonho só pelo tempo que vai levar para realizá-lo, o tempo passará de qualquer forma”, você não sabe quanto tempo levará para concretizar, mas você vai precisar começar em algum momento, ou vai “viver” sonhando. Não importa se você não sabe como, comece! E a vida se encarrega de ir mostrando as formas e te conduzindo pelas direções.

Apesar de ser muito difícil admitir e reconhecer tudo isso, não me sinto menos, ao contrário, acho que nunca me amei mais. Desfazer-se do orgulho te faz grande, acredite! Não consigo por em prática constante, tudo que aprendi, mudar é doloroso e leva tempo. Mas, a compaixão consigo mesmo em entender os seus limites te permite sofrer menos com seus erros, e assim, ao invés de se vitimar, você se dirige mais rápido rumo ao acerto.

Com relação às minhas amizades (e isso se aplica também aos amores) eu fico sozinha a maioria do tempo. Me diminuí muito tentando me encaixar onde não era bem vinda. Me diminuí tentando entender o porquê de não ser aceita, de não fazer parte, de não ser convidada para as festas, barzinhos, reuniões casuais. Me doía muito pensar que não vinha a mente das pessoas para um convite. Hoje ainda me dói, mas, graças a isso tive de aprender a ficar só e apreciar minha própria companhia. E agora, eu entendo o porquê muitas pessoas simplesmente não conseguem ficar sozinhas consigo mesmas (eu não conseguia), e sentem essa necessidade de estar sempre entre muitos “amigos”, homens, mulheres… Estar à sós com a própria companhia é auto conhecedor, e a auto revelação não é nada amigável. Algumas pessoas são muito resistentes em olhar pra si, reconhecer os próprios defeitos, e aceitar as verdades sobre seu mais íntimo eu. Eu era exatamente assim. O silêncio te faz olhar pra dentro e é preciso aguentar firme no campo de batalha. Quem desiste no meio do caminho, nunca se conhece de verdade e perambula por aí colecionando frustrações.

No auge dos 25, eu sei que se auto conhecer é essencial para a felicidade. Você se torna seletivo, mantém por perto somente aqueles que realmente te provam que merecem, mas aprende a ser gentil e educado com todas as pessoas – porque gentileza e educação não dependem nunca do outro e sim do que você é – julga menos (quando entende que o outro é um espelho e o que você aponta, geralmente, é algo que precisa ser trabalhado em você mesmo) e aceita com amabilidade as oportunidades que a vida lhe presenteia.

Rumo aos 30, ainda tenho muito que aprender, inclusive se essas lições são verdadeiramente corretas ou se me equivoquei. Todo dia é uma chance, de ser melhor que ontem.

Imagem de capa: AstroStar, Shutterstock

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Ana Carolina Santos
"Fisioterapeuta por formação e de coração; Virginiana com ascendente em Peixes; Cantora por hobbie; Apaixonada por Teatro Mágico e fotografia. Romântica, sensível, e apimentada. Menina mulher, de uma Fé inabalável."

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