Tudo é transitório, o que era ontem pode não ser hoje.

“Nada é fixo nem permanente… As coisas que nós adquirimos e perdemos, mudam… A vida é isso, essa transitoriedade. Tudo é transitório, o que era ontem pode não ser hoje. Como é que vai ser? Nada se repete, tudo acontece uma única vez. Você pode repetir o momento de hoje, com a mesma roupa, do mesmo jeito, mas o momento é único, jamais se repetirá. Tudo na vida só acontece uma única vez, mas a gente não aprecia, a gente reclama…” – Monja Coen

Estava aqui sentindo uma saudade, daquelas doídas de sentir. Daquelas saudades que nos fazem repensar a vida, repensar as atitudes, ponderar se deveríamos mesmo ter ido por aqui ou por ali. Daquelas saudades que nos impulsionam a regressar.

Então eu fui buscar uma distração que não fosse ouvir uma música que piorasse meu estado de espírito e me deparei com as palavras acima, em um vídeo que resolvi ouvir… Essa pessoa iluminada que é a Monja Coen (recomendo que você a ouça), me fez absorver essas palavras, no melhor estilo “era o que eu precisava ouvir”.

A gente sente saudades mesmo. Eu já divaguei sobre isso outra vez, falando que a saudade é sinal de um momento bem vivido. Mas puxa vida, não é que eu havia me esquecido das minhas próprias convicções?

A gente sente saudades… E talvez existam etapas de nossas vidas que devam ser isso… Saudade. Ainda que seja daquelas doídas de sentir.

Mas não é para escrever penalizada, sobre a saudade, que eu passei por aqui. Na verdade as palavras da Monja me fizeram perceber que muitas vezes perdemos tempo amargando a saudade, e deixamos de valorizar o momento. “A gente não aprecia, a gente reclama…”. E como a gente reclama! E o momento não volta. Mesmo que a gente possa reviver aquele momento bom que deixou saudade, aquele momento específico não volta.

Um dia minha mãe fez uma janta que nunca mais vou esquecer. Era uma comida simples, mas pelo contexto, teve um sabor especial. Ela ficou tão feliz com a minha gratidão por aquela refeição, que já tentou repetir o prato diversas vezes, mas nunca mais teve o mesmo sabor, embora tenha sido muito bom em todas as outras vezes. Naquele dia, jantei com gosto, apreciei o momento.

“Nada é fixo nem permanente… As coisas que nós adquirimos e perdemos, mudam… A vida é isso, essa transitoriedade. “Tudo é transitório, o que era ontem pode não ser hoje”. E a gente sente saudades. E por que não sentir essa saudade sem ferir o peito?

Por que a gente transforma o amor em dor? Por que colocamos rancor em sentimentos que de tão bons, deixaram essa saudade? Porque do contrário, se o momento passado fosse ruim, a gente sentiria raiva. Mas se sente saudades… Por que não recordar isso apreciando o momento vivido?

“Nada se repete, tudo acontece uma única vez”. Mesmo que a gente possa fazer aquilo de novo, e de novo, e de novo… Cada dia terá sido único.

Aí então eu me permiti sentir saudades… Revivi aqueles momentos bons, bonitos, ouvi uma voz ecoando aqui na minha mente me fazendo refletir “está vendo como a vida é boa?”. Revi o pôr-do-sol, reafirmei umas certezas dentro do peito e criei incertezas danadas.

Se cada momento é único, se tudo na vida só acontece uma única vez e se foi bom, ao ponto de dar saudades em cada letra de música, nos detalhes da vida, no perfume, por que não sentir saudades? Por que não viver essa saudade?

Porque se ficou saudades… Foi bom. Do contrário a gente sentiria raiva. Mas se a gente sente saudade, por que não sentir? E saber que a vida é como disse Monja Coen, essa transitoriedade. O que foi ontem já não é mais hoje.

Mas que bom ter vivido isso. Que bom poder lembrar, e sentir saudades.

Imagem de capa: MRProduction, Shutterstock

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Luciana Marques

Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior.

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