Sou como sou, mas às vezes queria ser diferente…

Eu queria ser uma pessoa diferente. Não significa que não goste do reflexo no espelho, mas que quero ver mais do que vejo, coisas diferentes.

Eu sinto muito e intensamente. E vivo cercada de gente que precisa desse sentimento infinito. Fico triste e temporariamente com raiva quando percebo que pessoas vem e vão quando lhes convém, como se eu fosse um posto de abastecimento. Acho injusto comigo e com a sinceridade do que nunca me nego ou refreio em demonstrar.

Eu sou como sou. Tenho dois braços sempre estendidos e enche meu coração de alegria abrigar quem os procura. Tem gente que chega, usa da energia que eu compartilho com todo o carinho e vai embora até a próxima vez, amanhã, semana que vem, outro ano. Só que servir só nas horas que o outro precisa faz a gente se sentir meio que um pano de chão. No piso limpo e bonito só se coloca tapetes novos. Nada de panos de chão!

Eu fico imaginando se as pessoas do meu pequeno mundo são conscientes de quem eu sou. De como eu sou. E que sou um ser humano de sangue quente. Sou viva e com todos os neurotransmissores ativos. Eu sinto. E não vou me culpar, porque se existe um pecado que eu não cometo é o de não demonstrar.

Eu não aguento. Sou eu aqui, uma humana que fala: não aguento! Não quero servir só para abrigar, apoiar, animar, ouvir, abraçar. Eu quero isso de volta quando precisar. E eu preciso. Estou bem cansada desse sentimento de ser sugada e ver desaparecer as pessoas que passam pela minha vida como se eu fosse um consultório de psicologia eficiente com tratamento de efeito rápido e duradouro.

Não quero que as pessoas leiam minhas palavras tentando me ler e imaginem que nesse momento tem alguma coisa acontecendo comigo. O que acontece comigo é simples: eu sou uma pessoa. Tenho zonas bem delimitadas que muitos ignoram. E um saco de paciência e tolerância superlotado. Reservas de energia esgotadas.

Quero me olhar no espelho e ver mais. Quero olhar para dentro e não enxergar o vazio de um espírito sugado. Esvaziar o saco da paciência. Repor as energias. Para onde estão indo minhas energias?

Estão para além das delimitações que coloquei para mim, no campo do que tenho permitido acontecer enquanto espero que vejam mais em mim. Estão na conjugação errada de tempo e verbo. “Espero que vejam” é esperar demais. E eu espero demais. Não me basto. Não sou dessas e sinceramente nunca serei. E ainda vou me esvaziar muito por aí, eu sei. Nada disso é novo porque isso é reflexo da pessoa que eu sou. Embora eu queira, não consigo ser diferente. E como não sou resistente o bastante, não aguento.

No entanto, embora diga muitos sins, sei quando é meu momento de dizer NÃO. Eu sou feita de sins, mas me ofende ser subestimada. É como eu disse: neurotransmissores ativos!

Imagem de capa: Pixabay

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Luciana Marques
Leonina de coração eternamente apaixonado, dramatizo e poetizo a vida. Então às vezes, quando as palavras me sobram e os sentimentos transbordam... Escrevo!

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