Romeu e Julieta. Dias atuais.

As nuvens saíam de cena dando lugar ao alaranjado do pôr-do-sol em suas retinas esverdeadas…

Ele havia sentado na primeira mesa da cafeteria, ordenou um café e voltou a contemplar a vida alheia. Ele queria adoçar a vida em cada gole que dava em seu café. Ele tinha uma pequena queda por romances trágicos. As cartas de Abelardo e Heloísa, Tristão e Isolda. Romances dignos de amores incondicionais. Romeu aparentava ser um príncipe do século XV, apesar de ser um rapaz simples. Possuía um daqueles sorrisos únicos capaz de conseguir qualquer coisa sem dizer uma palavra sequer. Tinha os olhos claros e uma pele que almejava ser morena.

Romeu ordenou outra xícara de café quente minutos após a primeira. Mas queria mesmo um abraço esquentado, aconchegante e acolhedor. Folheou o seu romance favorito na página 65, e continuou sua leitura calma e relenta nas palavras romântico-trágicas de Shakespeare.

Apenas por uma fração de segundos em que seus olhos se distraíram, ela chegou como quem havia fugido das palavras de Shakespeare que havia lido. Ela apareceu como quem foge de um filme romântico bem na parte em que o casal passa por algum tipo de desentendimento.

Julieta possuía os olhos claros idênticos aos de Romeu. Tinha a pele alva como a neve e um sorriso de quem já deixou saudades em alguns rapazes. Romeu, que estava sentado na primeira mesa da cafeteria com as pernas cruzadas, ergueu suas sobrancelhas, e não conseguiu tirar os olhos do rosto de Julieta por nada neste mundo.

Ela imediatamente devolveu o olhar apaixonado em direção ao sorriso de Romeu, e sorriu timidamente para ele. E aquela troca de olhares permaneceu por alguns segundos. Eles nunca tinham sentido aquilo que se passava dentro do peito, pois antes de tudo aquilo, o amor parecia ter sido mera coceira no peito para ambos.

O alaranjado do céu se retirava aos poucos e dava lugar ao brilho das estrelas em um anoitecer aconchegante. Eles tinham tanto para dizer um ao outro, e a todo momento seus olhos tentavam imaginar a conversa que se passava por suas cabeças.

Ele a amava.
Ela o amava.
Eles apenas não sabiam o que aquilo significava.

“Se o amor é cego, como ele acerta o alvo?”

Romeu questionava-se.

Mas cedo ou tarde, eles saberiam o real significado de tudo.

Minutos depois de uma intensa troca de olhares, Romeu lembrou-se de um conselho que seu velho pai costumava dizer quando ele beirava seus 16 anos de idade:

-Filho, a saudade do que não foi dito hoje, pode ficar eternizada para sempre amanhã.

Romeu, ao lembrar-se daquelas palavras ditas por seu pai, levantou-se aos poucos, aproximou-se vagarosamente de Julieta, e olhando profundamente dentro se seus olhos claros, lhe disse:

….

Em memória de Abelardo e Heloísa.

Imagem de capa: Mary Sullivan, Shutterstock

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Pedro Ficarelli
Apaixonado pela poesia feminina. Acredito fielmente que o amor seja o infinito que resolveu morar no detalhe das palavras. Muito prazer, eu me chamo Pedro Ficarelli, e escrevo com o único intuito de pôr palavras onde a tua dor se faz insuportável.

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