À medida que crescemos, aprendemos que amadurecer é a difícil tarefa de lidar com nós mesmos.

De todas as certezas do mundo a mais bonita é, que, inevitavelmente, o tempo passa para todos. Você pode até não ter seus primeiros cabelos brancos se destacando entre os demais, nenhuma ruga evidente e, de quebra, ter muito vigor no dia a dia que dá inveja para qualquer jovem que esbanja energia; a verdade é que a idade vai chegar, chegando, para todos. Nem percebemos. Entretanto, a jovialidade é mais importante do que a soma de todas as primaveras que contamos.

À medida que crescemos, aprendemos que amadurecer é a difícil tarefa de lidar com nós mesmos. E, quem sabe, o encanto de tudo isso é não saber o que está por vir. Aceitar que não temos controle de tudo é essencial, e, esperar, mesmo assim, controlar cada vivência é um saco… É gastar desnecessariamente energia.

Envelhecer é inevitável. Nós esperamos por isso, felizes por cada manhã, cada dia, semana, mês e ano após ano e, valorizar, conviver do lado das pessoas que deixam as nossas dores mais suportáveis, os nossos risos mais saborosos, então, apesar dos pesares, entender que elas nos ajudam a renovar a fé de um dia melhor.

Envelhecer é entender que para tudo há um novo ponto de vista – pode agradecer as experiências agora. Há sempre algo novo que deve ser considerado, manias que devem ser revistas. Quando amadurecemos, nos enriquecemos de sentimentos incríveis; criamos laços mais fortes com quem realmente importa; com o que realmente importa; criamos laços mais fortes com as nossas próprias vontades.

E, quando de fato, começamos a “entender” que precisamos passar por tantas provas – que no final não provam nada e você sabe disso –, lá no fundo sabemos que não entendemos é nada tão bem assim, vem as experiências nos mostrar que nossas certezas não são tão certas como imaginávamos. Que, infelizmente, muitas despedidas chegam sem hora marcada apenas para mostrar que a vida, apesar de ser bela, é passageira. E pessoas, e coisas, são tiradas de nós em um supetão. Sem aviso prévio. E pessoas, e coisas, são colocadas em nossas vidas de repente. Sem termo de compromisso. Faz tudo parte do ciclo da vida: nascer; crescer; envelhecer.

Amizades de escola que seriam eternas acabam; casa da mamãe sempre – na maioria das vezes – estará lá para nos receber, mas chega a hora de sair do ninho; compromissos, agenda cheia, chefe cobrando o bendito relatório, banca para examinar o TCC. Haverá sempre um novo trajeto e projeto que se equipara a jornada do “estou envelhecendo”. Como um vinho, para melhor.

Realidades da vida adulta: tudo começa a depender de nós mesmos. Que a nossa alegria tem mais a ver com a aceitação de tudo isso do que reclamar de onde estamos, e nada fazermos. Nós por nós. É bem nessas. Amar e desamar. Pensar e esquecer. Afastar-se do que não nos fazem bem. Amadurecer nos dá essa coragem de experimentar. Que medo é bobagem. Descobrimos que crescemos e, que a vida, não é moleza. Pode ser mais bem vivida, óbvio.

A sensação de ter deixado algo para trás é sempre tão presente. Olhar para trás tentando achar espaços vagos em nosso interior e, decifrar o que ainda nos faz falta, em qualquer circunstância é doloroso… não há sentido em viver assim, se lamentando por experiências não vividas. E, conforme os anos passam, aprendemos que amadurecer é não perder oportunidades que, lá na frente, essas ideias vasculhem nossa memória para nos tacar na cara. Amadurecer é saber viver intensamente.

Talvez, encerrar ciclos e celebrar novos, é uma arte que se aprende com o tempo. Sem pressa. Se deliciar com tudo que já conquistamos até agora… e ser grato, de coração, por cada passo que damos diariamente, às vezes perdidos dentro de nós mesmo é o que dá sentido a tudo isso. Para cada sentimento novo que nasce, ou renasce, um olhar diferenciado sobre a vida nos mostram o quando já maduros somos.

E, possivelmente, valorizar a eternidade dos abraços sinceros, que saudade só é bonita do que não é possível alcançar e, assim, aproximar verdadeiramente de quem amamos, selecionar as prioridades e relaxar com os tombos que tomamos; afinal, é só levantar. E, não importa por quantas estações já passamos, a vida não estaciona. E, se amar, é o combustível para se movimentar por essa estrada que sabemos quando inicia… mas, o fim, foge das nossas mãos. Ainda bem.

Imagem de capa: marienalien, Shutterstock

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Luverlandio Silva
Nasceu no Piauí e cresceu em São Paulo, mora atualmente em Santo André – SP. Apaixonado pela área de exatas, mas tem o coração nas artes e escrita; trabalha e defende o meio ambiente e, as causas naturais: sentimentos; afetos; amor.

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