Ela pedia ajuda em silêncio e só queria receber um pouco de amor e atenção

Ela está se perguntando o que fez de errado. O que terá feito para as pessoas a tratarem de forma fria, indiferente e quase ignorarem sua existência, e a tirarem da invisibilidade apenas quando precisam de algo que só ela pode fazer. Ela só quer respostas. Só quer saber em que ponto da sua vida ela deixou de amar os outros apesar de alguns não merecerem, de ter sido rude, não ter estendido a mão e ter tapado os ouvidos para os gritos de socorro ou gritos de alegria numa gargalhada. Ela estava ali para eles. Sempre atenta, observando os detalhes, percebendo os sinais. Ela estava ali e teria aberto o coração se alguém tivesse tido o interesse de procurar a chave.

Ela estava ali olhando para os lados e procurando no horizonte distante alguém se aproximando para perguntar como havia sido seu dia. Ela estava parada porque não sabia para onde ir, queria que alguém lhe desse as coordenadas, que tivesse a ousadia de falar com ela como se ela fosse real e se preocupassem com aquilo que anda doendo, que anda a matando por dentro. Ela estava mal, queria que todos vissem, que percebessem, que se dessem ao trabalho de só dizer que tudo ficaria bem, que nenhuma dor é eterna. Mas o que fazer quando se pede ajuda no silêncio e ninguém entende essa linguagem?

É ir seguindo e tentando não se importar. Ignorar a insensibilidade, dizer a si mesma que está bem sozinha, se olhar no espelho e admirar o reflexo da sua companhia do dia-a-dia. É não chorar a noite inteira, sorrir quando contam uma piada não direcionada a ela, trocar olhares com desconhecidos e torcer para dali nascer alguma coisa que a tire do poço onde se jogou. Ela está desaparecendo aos poucos, diminuindo conforme não recebe amor, sumindo no meio desse mundo vazio, egoísta e que só se preocupa com a imagem, que não liga para o que as pessoas levam por dentro. Ela está minguando, caindo, quase rastejando para chegar ao final de um caminho qualquer.

Será sempre assim? Algum dia ela receberá o amor que nunca alguém ousou lhe dar? O amor verdadeiro vai aparecer? Ele sairá da sua mente e se tornará real? Ela cansou de dizer a família que está tudo bem, que é só mais uma noite sem sair com os supostos amigos, que a rotina de casa para a igreja, aula e trabalho lhe agrada e supre todas as suas necessidades sociais, que não precisa de alguém que não precisa dela. Será se seus pais não veem que algo está errado? Que até seus sorrisos são a cada dia mais raros e que não tem conquistas para compartilhar com eles? Eles não devem perceber. Nem saber que a solidão existe, pois eles são felizes, tem amigos e todo o resto que a vida dá para alguns e nega a outros.

E talvez ali estivesse o problema: Quando se está bem, quando se tem tudo, dificilmente irá se preocupar em olhar em volta para saber se os seus semelhantes tem algo, nem que seja um fiapo de felicidade e de paz. É complicado parar de pensar em si mesmo, em seus próprios planos, metas e objetivos. Parar de pensar no que se deseja para o seu futuro, para o que deseja ser daqui uns anos, para olhar para alguém que não se sente tão bem, que tem um vazio existencial, que pensa que o mundo será melhor sem ele. É difícil perguntar se o outro está tão bem quanto você, se na vida ele teve as mesmas chances e oportunidades que você tem para buscar e conseguir alguma coisa boa e duradoura.

Não é fácil se pôr no lugar de quem está na sua frente tentando vive da única forma que lhe foi ensinada. Por isso, ela sabia que não podia cobrar muito, pois cada um fazia suas próprias escolhas e que provavelmente ela não estaria em nenhuma de suas decisões. Que teria que continuar sendo quem é, fazendo o que faz, amando como pode e tentando ajudar como sabe. Porque não é justo negar aquilo que lhe negaram, não consegue dizer não depois de ouvir tantos nãos, prefere ser flor ao invés de espinho, quer ser verão em vez de inverno, pois assim a sua recompensa em outro lugar distante será maior e melhor.

Ela sabe que aqui não é garantia de receber tudo que um dia Deus lhe prometeu, pois algumas coisas serão dadas apenas no céu. Ela sabe que não pode exigir pessoas, amores, felicidades. Sabe que não dá para esperar a vida inteira as pessoas perceberam o quanto é especial e que tem seu próprio valor. Tem que viver mesmo sem ser notada, vista e sentida. Tentar sorrir quando ninguém está vendo, fazer o bem mesmo sem estar sendo observada. Vai continuar jogando sementes por onde anda, fazendo pequenas ações, realizando pequenos gestos, pois foi para isso que foi chamada. Pois Deus não a chamou para ser reconhecida por grandes feitos, mas para fazer grandes feitos e deixar Deus ser reconhecido por eles.

E por isso Deus a ama tanto e sem ela saber Ele já decidiu o dia, a hora e o lugar que lhe entregará sua benção tão esperada, sonhada e idealizada. Ela terá um pouco da paz que Ele quer lhe dá no céu, Ele quer que ela sinta um pouco desse amor infinito, que aproveite, que experimente, pois ela não será triste eternamente. Enquanto for fiel, e Ele sabe que apesar dos erros e defeitos, ela será, vai construindo o seu futuro desconhecido e que trará espanto, surpresa e admiração para quem um dia não a viu. Olharão para ela e se perguntarão como que isso pôde acontecer e por que com ela. Deus vai olhar toda essa cena e vai abraça-la, sussurrando em seu ouvindo o quanto foi bom vê-la persistindo apesar das tempestades que quase a levaram.

Imagem de capa: Kalamurzing, Shutterstock

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Tatielle Katluryn

Nessa existência já há 20 anos, com sangue Maranhense e coração pertencente ao céu. Sou cristã e estudante, apaixonada por livros do séc. XIX e Astronomia. Escrevo desde os 13 anos, mas nunca imaginei que a escrita faria parte da minha vida e hoje não passo um dia afastada das palavras. Mas nada disso é mérito meu, pois Deus me chamou para falar aquilo que Ele quer dizer as pessoas, para levar a paz a corações como o meu.

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