Cobertor pequeno

Você já dormiu com um cobertor pequeno numa noite fria? É um balé sob lençóis! Você cobre os braços, descobre os pés, estica o cobertor com o calcanhar e descobre o pescoço. Uma noite de cão! Não descansa, não esquenta totalmente e não consegue dormir. E se seu cobertor falasse, provavelmente diria: Ei! Pare de me esticar assim! Sou como sou, me desculpe se não sou suficiente para o tamanho do seu frio.

Quando o trabalho não te satisfaz, quando os amores não te satisfazem, quando você quer mudar seu visual, a foto do seu perfil, a cor da casa, quando você está aqui sempre pensando em estar ali e seu coração não se aquieta com “o que tem para hoje”, quando isso se torna constante… seu cobertor pode estar pequeno.

A gente estica, descarrega nas pessoas nossas expectativas, espera demais de situações e de pessoas que não nos dão o que esperamos, simplesmente porque elas nos dão tudo o que podem dar.

Concluo que ao esticarmos demais as coisas, as pessoas, as desgastamos demais. Perdemos, damos uma impressão errada de quem somos, porque não conseguimos expressar algo que parece tão simples: eu sinto muito frio. Na alma, no espírito. A culpa não é do cobertor.

Talvez não seja o cobertor que seja pequeno, mas você anda sentindo frio, demais para o calor que esse cobertor pode te dar.

Projetamos nossas necessidades nas outras pessoas, quando essas necessidades nos são tão particulares. Somos nós quem precisamos daquilo, são, nossas necessidades, devem ser supridas por nós mesmos e não colocadas como um fardo sobre os ombros de quem caminha ao nosso lado e talvez não faça a mais remota ideia dos nossos sentimentos.

Se eu estou com frio demais para aquele cobertor, sou em que preciso me certificar de buscar meios mais eficazes de me aquecer. O cobertor não tem culpa.

Então… talvez não seja o cobertor que seja pequeno, mas você anda sentindo frio, demais para o calor que esse cobertor pode te dar.

Imagem de capa: Andrii ZHuk, Shutterstock

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Luciana Marques

Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior.

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