Você me conquistou

Me conquistou. Você conquistou não somente o meu coração. Conquistou, também, todos que dentro dele já residem, muito antes da sua chegada pelas beiradas, como quem não quer nada – e, agora, tem tudo! A gente vive muito bem sozinho, do ponto de vista amoroso. Sozinho, sem um relacionamento sério; na minha verdade, para ser feliz mesmo, faz necessário alguém para a gente chamar de nosso – fazendo uso apenas do pronome possessivo –, que é livre para ficar por ficar, apenas; aquele relacionamento carregado de gargalhadas que, às vezes, despertam os vizinhos, em outras, apenas os nossos mais íntimos e recíprocos sentimentos… que há no coração.

Quando alguém resolve ficar, ela aceita, indiretamente, fazer parte dos grupos que participamos. Grupos reais: de conhecidos; de amigos; de parentes; de familiares. Ela, é convidada para fazer parte, para interagir. Depois que está dentro, não pode apenas clicar no “Silenciar por 1 Ano” e não criar seus próprios vínculos (bons e ruins), para aos poucos sair despercebida do grupo. Até pode sair, mas sairá fazendo alarde; sairá sem volta, na maioria das vezes.

Você veio e ficou. A gente tenta acreditar que para um relacionamento dar certo só depende de duas pessoas. Das duas pessoas que amorosamente se relacionam; se aceitam; se ajudam; e, como esperado, crescem juntos em todos os sentidos. Mas, não é bem assim. Para dar certo o relacionamento, outros atores contracenam uns com os outros no fundo desse belo palco, chamado vida, enquanto o casal se apresenta diante deles. Não é possível fugir disso. Sempre há um amigo próximo, um vizinho do lado, pais-corujas, irmão ciumento. Sempre haverá terceiros, faz parte.

É, eu sei que ninguém tem nada a ver com a nossa vida amorosa. E, também sei, que as pessoas próximas da gente pode sim edificar ou descarrilhar a relação; é inocência acreditar que não corremos esses riscos; é resiliência suportar todos eles para fazer dar certo.

Você veio e ficou, veio e conquistou não apenas a mim. É sempre assim: a gente conhece alguém especial e, quando o “sentimento especial” é recíproco, começamos a fazer parte das rotinas um do outro. Começamos a fazer parte dos grupos um do outro. Às vezes, essa fase inicial, dá um “medinho” gostoso. Será que meus amigos gostarão dela? Será que meus pais aceitarão ela dormir em casa duas, três… vezes por semana? Será que meu pet vai fazer carinho nela, ao invés de mordê-la? Será, que, ela, aceitará bem meus amigos, meus pais, meus pets? Minhas crises? São perguntas corriqueiras que mexem com a nossa cabeça e, enquanto não vivermos elas, serão incógnitas sem respostas; só dúvidas.

É tão gostoso ver você conquistando o coração das pessoas que amo. Ver, eles, sorrindo para você e você sorrindo de volta; lhe ver ocupando o lugar no sofá do domingo à tarde. Acertando no momento exato das nossas vidas, eu lhe encontrei, ou, você me encontrou. Chegando para alegrar o que já está alegre, você chegou. Como? Só sendo o que é… e, nada a mais. Olhar para tudo isso é uma felicidade que nasce sem precedentes.

A gente não sabe na verdade como as coisas acontecerão. Quando duas pessoas resolvem ficar juntas, é uma caixinha de surpresa todos os dias e, podemos nos surpreender a cada amanhecer da relação. Saber que, além de nós dois, possuímos pessoas que torcem pela gente e por nossas felicidades, é saber que acertamos o desafio dos novos dias que chegarão; às vezes, difíceis; outros, tranquilos. Segura a minha mão para a gente passar por tudo isso? Vamos ser felizes e, deixar todos a nossa volta, felizes por a gente estar juntos?

Imagem de capa: Dmytro Zinkevych, Shutterstock

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Luverlandio Silva

Nasceu no Piauí e cresceu em São Paulo, mora atualmente em Santo André – SP. Apaixonado pela área de exatas, mas tem o coração nas artes e escrita; trabalha e defende o meio ambiente e, as causas naturais: sentimentos; afetos; amor.

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