Sinto-me só e tudo bem. É bom sentir solidão.

Entre todos os abraços, possibilidades, amizades e reciprocidade sinto solidão.

Porque sinto, sinto muito de um tudo e minto que não espero, mas na verdade quero sentimento no meu tempo, no meu momento, mas ele não vem.

Entendi que a solidão nada mais é do que a espera frustrada de que nossas expectativas sejam atendidas dentro do nosso ponto de vista. Não são. Porque a vida é mesmo solitária e o fim é idêntico ao princípio. Começamos só. Terminamos só. Porque nossa visão não raro se restringe ao nosso raso entendimento e leva tempo (às vezes muito) para compreendermos o sentido das coisas que às vezes devem ser apenas sentidas e não entendidas.

Não há mal em sentir solidão.

Somos sós quando administramos os conflitos interiores, quando não confessamos o inconfessável, quando carregamos dores que ninguém mais pode sentir ou dividir, quando cultivamos amores ou idealizamos coisas tão íntimas e pessoais. É só que se caminha.

Isso não é uma desgraça, uma maldição. Na verdade entender que seu caminho é SEU é uma benção, porque vai saber que é sozinho que precisa decidir por qual rumo seguir. É sua a missão nessa vida, é sua a responsabilidade, é seu o caráter, a vontade, tudo é seu.

Será que viver, portanto, significa dosar egoísmo e solidão?

Acho que quando se quer vida própria, sim, porque do contrário vamos vivendo a vida de outras pessoas, por outras pessoas, em falsa companhia que se desfaz quando você está naquela estrada particular que uns chamam de travesseiro, outros a trilham no chuveiro, no pôr-do-sol, na chuva ou em qualquer singela lembrança que remeta a realidade de que só é que se vive aquilo que é tão nosso.

Então quando a Maysa disse estar “só numa multidão de amores”, deveria ser porque é assim que se vive. Cercada de um tudo e do mundo, mas vivendo na solidão o intransferível, nossa vida própria, por vezes necessariamente solitária, porque na solidão moram as resoluções, os entendimentos, as saudades, as dores que viram lições.

Porque o fim é idêntico ao princípio: Começamos só, terminamos só. Isso não é para ser triste como se fosse uma maldição.

Porque é na solidão que habita o intransferível. Só é que se vive aquilo que é tão nosso e só nosso.

Imagem de capa: sutipond, Shutterstock

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Luciana Marques

Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior.

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