Quando o acaso sorrir

Imagem de capa: Rawpixel.com, Shutterstock

Não importa o quanto você queira, nem o quanto você se esforce. Não adianta escolher sua melhor roupa ou o melhor sapato. O acaso tem presentes que não se podem prever. É provável que o amor da sua vida apareça numa sexta-feira fria, te encontre com olheiras de uma semana intensa, te esbarre numa festa estranha. É bem provável que te cruze com a barba por fazer e o cabelo despenteado, despreparado.

Me disseram que o amor vem sem avisar, nem faz questão de resplandecer sua euforia. Qualquer probabilidade para o amor é discreta, precisa ser descoberta, conquistada. Não importa seu conhecimento em gramática, não se leva em consideração o quanto você viajou pelo mundo ou se você crê ou não em vida fora da terra. O acaso não faz distinção de credo, cor ou se prefere catupiry ou cheddar na borda. Dia destes li na porta de um banheiro por aí: __Vinte segundos de coragem podem mudar sua vida inteira. É aí que o acaso mora, no hiato entre a coragem e a insanidade.

Amar é pra gente altruísta, é pra quem não tem medo do inusitado. Amar é pra quem tem coragem de pegar uma rua diferente todos os dias. É pra quem não tem medo da altura, da distância. É pra quem tem medo do tempo passar e não ter vivido tudo aquilo que quis. Amar é pra quem se joga no escuro. Não dá pra esperar estar preparado, a verdadeira essência do acaso é te pegar de calças na mão, sem jeito, sem planos e com sorte te bagunçar a vida inteira.

Quando o acaso sorrir, não adianta se esconder menina. Não adianta ter medo de parecer piegas. Quantas vezes você já pode ter deixado o grande amor da sua vida escapar porque te faltou coragem? Há algo mágico escondido nestes encontros. Quando dois sorrisos se cruzam algo extraordinário acontece. Foi por ver o amor partir tantas vezes que aprendi uma lição: Quando o acaso sorrir, é melhor sorrir de volta.

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Giovane Galvan

Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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