Me perguntaram: “como eu vou saber se é amor, como vou ter certeza que vai durar?”

Eu não era a pessoa mais indicada para responder, mas são dessas perguntas que nos colocam num cantinho do pensamento, a procurar respostas. E eu não sei se foi Arnaldo Jabor, Camões, Tom Jobim, Fernando Pessoa, o apóstolo Paulo ou Jesus Cristo quem disse algo sobre o amor. Mas lembro de ter lido por aí e sentido muito mais, muitas coisas sobre esse confuso sentimento que acabaram influenciando na minha própria definição.

Amor é empatia. A gente sempre se coloca no lugar do outro, não em segundo plano, mas para se sentir como o outro e enxergar por outro prisma.

Não abrimos mão do amor próprio, mas não somos mais o centro do Universo.

Não reviramos o baú do passado nem assombramos o presente com ciúmes e situações hipotéticas.

O bem-estar do outro vem acima do nosso.

Olhamos lá na frente, para além da linha do horizonte e é fácil enxergar como vamos até lá com aquela pessoa ao nosso lado. Ela faz tudo ficar mais fácil, mais bonito, mais prazeroso.

As suas dores, suas alegrias, seus momentos, todos eles vão ter aquele carimbo de saudade quando não forem compartilhados.

Vai ser inconcebível ferir a outra pessoa propositalmente, só pra ela sentir como é bom. O amor não machuca com o propósito de fortalecer nada. Isso se chama estupidez.

Não queremos perder oportunidades. Um encontro de minutos, uma conversa rápida, um eu te amo na velocidade da luz, um abraço para apaziguar uma discussão que não levará a nada.

O amor não testa, não coloca à prova, não nos obriga a fazer escolhas, porque vai se encaixar na nossa vida como ela é e vai amar ou respeitar o que quer que seja importante para nossa vida, mesmo que não seja na da outra pessoa.

Está para além da carne. O desejo será sempre consequência da vontade de estar junto, entrelaçados, mas nunca será o maior peso.

Não permite silêncios intermináveis.

Não contempla uma vida sem a presença daquela outra vida e por isso mesmo vai prezar muito manter essa vida perto de si.

Vai nos preencher. Não é mesmo aquele papo de outra metade, de nos completar. É alguém que preenche aquelas lacunas que ninguém conseguiu entrar, porque enxerga nossa alma, o jeito de olhar, o tom da voz, o sorriso, as vontades, as verdades.

O amor tem paciência. Respeito. Admiração. Abnegação. Desejo. Empatia. Carinho. Paixão. Amizade. Amor.

A soma vai ser de dor, decepção, mágoa, lágrimas, tristeza, alegria, felicidade… E o bom apagará com facilidade o que foi ruim.

O orgulho nunca será maior que a vontade de permanecer com aquele espelho da alma.

“Viver minha vida”, nunca será uma frase contemplada só, porque porque vida também pertence a quem está ao nosso lado.

Eu pensaria nisso para poder amar…

Agora para ter certeza que vai durar… Poxa, aí fica difícil. Mas pensando bem, quando a gente encontra na outra pessoa todas essas formas de amar, talvez seja fácil. Talvez seja automático e amar deixa de ser uma decisão, simplesmente acontece e dura, porque a gente faz durar sem sequer notar. Não é um esforço sacrificante, mas será sempre um esforço consciente.

Afinal, quem nunca desejou utopicamente que a vida chegasse ao seu termo com alguém que fizesse os anos passarem com a graça de ter amado e recebido o mesmo amor?

Onde existe o amor em toda a sua plenitude, ele perdura… simplesmente acontece e permanece.

Imagem de capa: Look Studio, Shutterstock

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Luciana Marques
Leonina de coração eternamente apaixonado, dramatizo e poetizo a vida. Então às vezes, quando as palavras me sobram e os sentimentos transbordam... Escrevo!

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