O amor é uma plantinha valente, mas que precisa ser regada diariamente!

O amor é uma plantinha que precisa ser regada todos os dias, pelas duas partes que se amam.

Não fui eu quem disse que o amor é uma plantinha que precisa ser regada diariamente… Eu devo ter ouvido ou lido isso por aí em algum lugar, há muito tempo e acreditei tanto que fiquei achando que era a autora dessa ideia. Poderia ter sido! Porque eu vou te dizer…

O amor é uma plantinha valente, mas que precisa ser regada diariamente!

Amar é gostoso, é bonito, cenográfico, poético, apaixonante, alucinante e relativamente fácil. Encontramos alguém que se encaixa em meia dúzia de necessidades básicas e não tarda, estamos amando, romantizando a vida, vendo o céu mais azul, observando o pôr-do-sol e a forma como o reflexo dele se pondo é bonito sobre a água. Prestamos atenção na letra da música, nas pessoas na rua, o riso é frouxo, fácil, assim como as lágrimas quando aquela dorzinha de amar se faz presente.

Amar é fácil… Mas manter o amor… Ah… Manter o amor requer habilidades que precisam ser praticadas todos os dias, ininterruptamente, por toda a vida.

Como se mantém um amor é uma questão bem pessoal e vai estar diretamente relacionado com suas necessidades na vida. Há quem o faça ao final de cada ligação ou na saída apressada de casa emitindo aquele “teamotchau” em uma palavra só, sincero e… Mecânico?

Outros mantém o amor saindo com frequência para fazerem coisas juntos, presenteando, fazendo declarações nas redes sociais, mandando flores, fazendo uma tatuagem… Tudo é válido. No entanto, acredito que o amor venha de uma casta mais simples, bem simples, humilde e que não está relacionado a grandes feitos para existir…

Eu vejo o amor como uma plantinha valente, que resite ao clima frio da ausência de demonstrações de afeto, ao calor escaldante dos excessos de sentimento, as chuvas torrenciais de lágrimas dramáticas e recupera seu vigor sempre que é regada com carinho, afeto, atenção, cuidado… E embora seja resistente, ela tem um limite para suportar as adversidades antes de adoecer e começar a morrer.

Eu acredito piamente que o amor é uma plantinha que precisa ser regada todos os dias, pelas duas partes que se amam, porque os nutrientes de que essa plantinha delicadamente resistente precisa vem das duas fontes. Se só uma a regar, ela não tardará a adoecer por anemia de sentimentos…

O amor, na minha concepção metafórica e botânica, precisa de coisas pequenas, simples e que devem ser permanentes em uma relação. O olho no olho dizendo eu te amo, eu te admiro, eu me orgulho de você, sem que nenhuma palavra seja pronunciada. O cafuné sem hora marcada, o beijo com paixão, os pés se encontrando embaixo do cobertor, as mãos entrelaçadas, o elogio pela roupa, pela aparência, pela atitude, pelo caráter, a mão na testa para verificar a temperatura, o filme com pipoca na sala de casa, carinho, atenção, afeto, cuidado, respeito, admiração declarada… São coisas simples, sabe? E gratuitas! Precisam apenas de desprendimento.

Porém, o amor é com frequência afetado por duas pragas teimosas, ervas daninhas das relações: o comodismo e a rotina. Quando nós temos certeza do sentimento, pensamos que se colocamos água no vaso ontem e hoje estamos atrasados pro trabalho, talvez não faça mal pular só um dia sem regar a plantinha, porque ela não morre fácil mesmo, vai resistir. E resiste! Quando o tempo passa, em especial se forem anos, ainda mais se essa plantinha tiver produzido mudas, estufamos o peito para dizer que ela ficou robusta e resistente, que não precisa mais daqueles nutrientes iniciais porque o sentimento amadureceu.

Ela agora suporta semanas sem água, suporta que apenas uma das partes cuide dela e permanece com caule forte, folhas verdes… e uma raiz doente, dando pequenas demonstrações de deficiência quando vez ou outra uma folha amarela. Então a arrancamos para manter o vaso sempre verdinho, às vezes colocamos um dedo na terra para checar que ainda está úmida e seguimos a vida, ignorando os efeitos mortais que as ervas daninhas estão causando nessa plantinha resistentemente delicada.

O tempo, os laços, as “mudas”, o amadurecimento do sentimento, o conhecer um ao outro fortalece mesmo o amor. Torna muitos processos mais fáceis, conhecemos a outra pessoa, a forma como ela está respirando, reconhecemos o olhar, sabemos sua cor preferida, que sons a irritam ou a acalmam, como ela gosta do bife, sua pasta de dente preferida… O tempo e a rotina tornam as coisas mais fáceis. Mas também nos acomodam. Nós sabemos que o outro está ali e sabemos que precisamos cuidar dele, mas trocamos beijos por selinhos, a química (com sorte) torna-se sabático, as demonstrações de afeito e admiração resumem-se ao “você sabe, eu não preciso dizer toda hora”.

Precisa sim! Precisa dizer toda hora, precisa regar todo dia, precisa manter constantemente acesa aquela chama que despertou os sentimentos iniciais, porque eles é que são o combustível da relação.

O amor, quando descuidado, adoece, muitas vezes, morre.

Vemos partir aquela pessoa que era para ser para sempre em nossa vida, porque esquecemos de cuidar do amor, achamos que como ele resistiu bravamente a muitas adversidades, havia adquirido imunidade e resistência e fizemos dele uma planta artificial que apenas existe e dispensa maiores cuidados.

O amor, quando descuidado, às vezes, chama a atenção de quem tem disposição para cuidar bem dessa plantinha abandonada num canto do jardim. Alguém pode levá-la embora, repor seus nutrientes e recuperar seu viço. E vemos partir aquela pessoa que era para ser para sempre em nossa vida, mas que agora está sendo cuidada e alimentada pela vida de outra pessoa.

Todo mundo quer um amor na vida… para a vida. Mas amar dá trabalho. O amor é essa plantinha danada de bonita e que nos engana com sua força de vontade em existir, mas que esconde uma fragilidade perigosa. Presumo que se ela falasse, diria todos os dias “cuida de mim, por favor”.

Presumo que, se você observasse, cuidaria, todos os dias, muito bem do seu amor.

Imagem de capa: Captblack76, Shutterstock

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS




Luciana Marques
Leonina de coração eternamente apaixonado, dramatizo e poetizo a vida. Então às vezes, quando as palavras me sobram e os sentimentos transbordam... Escrevo!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here