Tenho saudade de me apaixonar

Imagem de capa: Ivanko80, Shutterstock

Quando penso em me apaixonar me dá até um frio na barriga. Será que é medo ou ansiedade? Sinceramente, não sei. Faz tanto tempo que não sinto nada. A última vez que me apaixonei foi há tanto que nem me lembro mais como é sentir as borboletas agitadas na boca do estômago. Será que tudo isso ainda é possível? Às vezes acho que não, acho que não sou apta ou merecedora de viver um amor de verdade. Não é carência ou drama, é dificuldade em me entregar. Tenho medo de colocar minha felicidade nas mãos de outra pessoa, entende? Tenho receio de encontrar um motivo muito importante para sorrir, perder tudo e não sorrir nunca mais. Me aproximo com cautela e, por fim, me afasto. É mais seguro.

A verdade é que tenho saudade de me apaixonar, preciso me permitir viver esse turbilhão de novo. Quero aguardar ansiosa a chegada dele, sorrir sozinha olhando para a foto no celular e desenhar corações do espelho embaçado do banheiro. Quero sonhar acordada, escolher a melhor roupa, ver filme debaixo do edredom e sentir a mão dele apertar a minha no cinema. Quero me importar com alguém, preparar o café forte e dizer o quanto me sinto feliz. Quero preencher o dia com boas lembranças e apagar de vez as dores que sangraram. Vou me reinventar, dar a volta por cima. Eu preciso.

Tenho saudade de ouvir música romântica e lembrar de alguém especial. Quero poder surpreender, presentear, acariciar e fazer planos ao lado de alguém. Quero sorrir no meio do beijo, olhar nos olhos e ver o outro por dentro. Quero sentir o abraço protetor, saber que não estou sozinha no mundo, ouvir o sussurro ao pé do ouvido, sentir a mão que acaricia o rosto. Quero ser o ponto alto do dia, o colo para o descanso, o abraço que reconforta, o beijo que revigora. Quero sorrir feito boba e achar que todas as músicas do rádio tocam por nossa história. Quero a passionalidade da paixão para poder mandar a racionalidade da solidão embora.

Tenho saudade de sentir a perna bamba. Porque, na verdade, viver sem amor é chato pra caramba.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS





Monika Jordão
Atriz, escritora e paulistana. Acredita que o papel reflete mais do que o espelho. Apaixonada por livros, futebol, tequila, café e Coca-Cola. Buscando sempre o equilíbrio emocional e os amores inesquecíveis.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here