Para minha mãe.

Mãe, a gente pode começar de novo? Eu queria voltar a ser aquele garotinho que eu costumava ser. Sem a maldade nos olhos, sem o medo das incertezas do futuro, sem receio das dores na alma.

Mãe, a gente pode voltar pra casa amanhã? Eu queria ver o jardim da frente, aquele em que costumávamos sentar e conversar sobre a vida. Tenho sentido tanto frio nestes dias sem você por aqui ao meu lado. A febre tem visitado meu corpo e eu não sei o que fazer sem teus carinhos maternos aqui, bem pertinho de mim.

Mãe, eu sei que não tenho sido a melhor pessoa nestes últimos dias, tenho andado meio estressado com pequena coisas, eu confesso. Tenho esquecido de reparar nas coisas mais simples as melhores coisas da vida. Você sente falta das vezes em que a tua voz namorava meus ouvidos nas canções que você costumava cantar pra eu deitar? Você também sente falta das festas de aniversário, quando meu sorriso era tão único, tão alegre, tão seu. Sinto falta de todos aqueles balões coloridos que pareciam me mostrar um universo de paz. Eu sinto, mãe. Eu sinto muito, e sinto tanto a falta dos dias calmos e alegres e das noites leves e estreladas.

O que aconteceu comigo, mãe? Como eu fiquei tão distante assim?
Como eu me tornei tão frio e egoísta?
Como eu deixei tanto tempo passar assim?

Mãe, eu quero ver o mundo com outros olhos, da mesma maneira que eu o via quando as tuas mãos me guiavam pelas estradas da vida. Quero reparar nas nuances do céu, no verde da natureza, nas verdades dos olhos alheios. Você costumava dizer para mim: “Um lugar é bonito, se você o faz bonito.” Mas sem você aqui por perto, tudo me parece tão frio, vazio e sem cor. Não consigo mais enxergar o verde das tuas retinas. Não consigo mais ouvir o barulho das tuas gargalhadas. Não consigo mais sentir o batimento do teu peito.

Que tempo malvado, mãe. Que malvadeza de tempo.

Mãe, será que a gente poderia começar tudo de novo?

Imagem de capa: altanaka/shutterstock

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Pedro Ficarelli
Apaixonado pela poesia feminina. Acredito fielmente que o amor seja o infinito que resolveu morar no detalhe das palavras. Muito prazer, eu me chamo Pedro Ficarelli, e escrevo com o único intuito de pôr palavras onde a tua dor se faz insuportável.

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