Estagnação emocional: nada muda na sua vida?

Imagem de capa: Maya Kruchankova, Shutterstock

A estagnação emocional não é um estado que chega porque chega. Somos nós mesmos que nos encarregamos de lhe abrir as portas e, sem nenhum obstáculo, lhe damos autorização para ficar. Existem circunstâncias, momentos e existências que ajudam a alimentá-la. E nenhum de nós está isento de passar por isso.

O problema é que, com frequência, nos negamos a admitir e permanecemos em tal estagnação sem medir as consequências. As pessoas se afastam de nós, as oportunidades escapam assim como a areia entre os dedos, a alegria se evapora e nos tornamos seres sombrios. O horizonte desaparece, e o sentido da vida vai embora.

“Não admito estagnações porque o que eu gosto é de conhecer, e isso nunca tem fim”.
-Antonio Escohotado-

A motivação desaparece. O que antes gostávamos agora parece ridículo e sem sentido. Preferimos estar sozinhos. Fechamos o nosso coração e decidimos nos isolar para não incomodar nem ser incomodados. E sem querer acabamos enterrados em vida. A seguir veremos algumas etapas da estagnação emocional e como evitar cair nela.

A rotina, aliado número um da estagnação emocional

Em um estado de rotina, os dias se diferenciam muito pouco. Damos os mesmos passos, dizemos as mesmas palavras, falamos com as mesmas pessoas. Estamos tão acostumados que, mesmo sem perceber, somos uma constante repetição. O pior de tudo é que não queremos sair da estagnação emocional apesar de nos sentirmos péssimos.

Se vivemos com alguém, as coisas não são diferentes. Chega a hora em que o outro, mesmo estando conosco há anos, se transforma em um estranho. Já nem notamos, ou não nos importa, se existe alguma mudança na sua personalidade. Não compartilhamos a vida a fundo, com todo o sentido que isso implica. É apenas mais um hábito.

A rotina é capaz de acabar com a vontade de viver. Também não se trata de jogar para o alto tudo que foi construído. Mas é preciso dar oportunidade às surpresas, descobrir esse mundo novo que é possível encontrar no quarteirão todos os dias. Variar o caminho para ir ao trabalho (ou a qualquer atividade) é um bom começo.

O resto virá junto. Se você começar a se surpreender outra vez com as pequenas coisas, irá perceber que não precisa de desculpas para voltar a sorrir. Só o fato de estar disposto à mudança e acabar com a rotina trará novas oportunidades e irá ajudá-lo a crescer.

Presos na zona de conforto

Uma das coisas mais nocivas é não querer sair da zona de conforto, esse aparente estado ideal que supre as nossas necessidades. Contudo, nada mais é do que um grande engano, uma ilusão que nos impede de avançar. Por exemplo, não nos sentimos identificados com o trabalho que fazemos, mas permanecemos nele por medo de ficarmos desempregados.

Existem possibilidades para começar de novo, oportunidades em outras cidades ou países. Apesar da perspectiva, a descartamos e preferimos nos manter no lugar de sempre. Em outras palavras, significa não arriscar mesmo que isso implique permanecer na estagnação emocional, e tudo para preservar uma segurança em forma de espelho.

Muito além de ter metas claras, é indispensável reconhecer que o crescimento pessoal implica se mexer de um lado para o outro. Estar, além disso, disposto à mudança e entender que as experiências novas enriquecem. Pouco a pouco encontraremos esse equilíbrio que nos permitirá assumir os desafios, independentemente de quão complexos forem.

Desta forma, poderemos suportar as angústias que os tempos difíceis trazem. Se não dependermos da nossa zona de conforto, teremos a capacidade de nos levantarmos dos tombos. Assim, abandonamos essa tranquilidade que, mesmo sem ser sentida, nos anula e nos diminui.

Apatia, desmotivação, tristeza

Perdemos o entusiasmo, nada mais nos motiva e deixamos, inclusive, que outros decidam por nós. A alegria não é uma opção. Agora permanecemos ausentes e com uma sombra de tristeza no olhar. Comemos, respiramos, dormimos, nos movemos mais como um ato reflexo do que por iniciativa própria. Não vemos as cores que desenham o mundo.

Nossas emoções se encontram no nível mais baixo da sensibilidade. Nada nem ninguém nos move e vemos a vida passar como se fosse um trem que não alcançamos a tempo, que se foi e que nos deixou na estação. E se surgirem oportunidades, não teremos a capacidade de aproveitá-las. Então, de novo o trem vai embora; já não há nada a fazer.

A vida começa a passar cada vez mais rápido, mesmo sabendo que só nós mesmos somos capazes de sair dessa estagnação emocional. Recuperar a capacidade de se surpreender é a chave, assim como voltar a sonhar. Seria muito bom procurar e trazer para o presente essa criança que todos temos dentro de nós. É hora de deixá-la sair.

A fantasia não tem por que repreender a realidade. As pessoas que não abandonam seus sonhos são capazes de fazer coisas impensáveis. Tudo começa abrindo as portas da imaginação e acreditando que tudo é possível. A brincadeira, em meio à rigidez de uma vida monótona, é uma ferramenta a ser recuperada.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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