Você é minha história de amor preferida

Imagem de capa: Rawpixel.com, Shutterstock

Chegamos tão perto de trocar alianças e eu aprender a ter paciência com a sua mãe dividindo a mesa em nossos jantares românticos. Chegamos perto de mais eu diria, teus olhos extravagantemente azuis preencheram boa parte do futuro que eu escrevi, só não aconteceu. É engraçado como são poucas as histórias de amor que efetivamente acontecem, muitas delas moram em platonismos e raramente vem nos visitar na lembrança, você não, você é feito uma tatuagem feita no coração, eu não posso ver nem mostrar a alguém, mas está lá, assumindo cada batida descompassada.

Fiquei com aquela sensação de que seria perfeito, já que tínhamos tanto em comum, o bom gosto pra tudo e essa pretensão de futuro cheia de brilho, mas acolchoada em um amor puro, destes que eu sei que você sempre quis. Sempre fomos perfeitos um para o outro, mas, embora insistíssemos parecia sempre não ser nossa hora, não ser ali, parecia não ser mesmo sendo tanto nós. Fiquei com o gosto do beijo, com o frio do lado da cama, com o vazio de não termos acordado juntos, fiquei com a falta das nossas viagens, das fotografias, das nossas lembranças.

Vivi outras histórias de amor entre os hiatos que se fizeram nossos encontros e reencontros, nenhuma foi suficientemente forte pra apagar a probabilidade do que seríamos, aí está, uma palavra pra nós, fomos possíveis, prováveis, mas não nos rendemos a nos atirarmos um no outro. Falhamos na entrega porque estávamos escaldados de histórias frustrantes, porque desacreditamos do amor genuíno. Fico tentando me livrar do apego dessa história que só teve começo e fim, cujo meio ficou num papel em branco esperando pra ser escrito. Ficou um paradoxo gigante daquilo que poderíamos ter sido.

Eu não acharia pretensão demais dizer “Ainda”, pra nós; É que dizer “nunca”, jamais eu diria. Madrugada dessas enquanto eu implicava com a sua gramática e insistia em prever o futuro eu te vi admitir o que sempre te faltou em mim. Perdi a ingenuidade da adolescência na primeira vez que parti meu coração, juntei os cacos, tomei meu primeiro porre e na sequência minha primeira glicose na veia e nunca mais arrisquei no escuro. Mas você quer saber? Tô aqui de olhos fechados imaginando que seria incrível, aquilo que nós não nos permitimos ser. Talvez seja isso, alguns amores precisam acontecer, outros, só morar dentro da gente.

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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