Sem ele, eu sou apenas uma refém das minhas próprias saudades.

Imagem de capa: Ollyy/shutterstock

Peguei a estrada, talvez para esquecer umas dores e outras incertezas que costumo carregar comigo. Eu queria deixá-las na estrada e nunca mais ter que conviver com elas, como aquele bonito casal do outro lado da rua sorrindo alegremente e deixando todas as suas dores para trás. Quisera eu esquecer aqueles malditos olhos claros maravilhosos, mas eu queria lembrar dos beijos adocicados, também. Quisera eu esquecer de todas as lágrimas que derramei, mas eu queria lembrar dos sorrisos que compartilhei.

Ele é essa saudade que fala mais alto aqui dentro de mim. Essa mistura híbrida entre tristeza e alegria. Ele é uma constante felicidade do que foi vivido, e um repetitivo lamento do que se foi. Eu estava quase a cem quilômetros por hora, mas meus pensamentos sobre ele eram mais rápidos do que qualquer coisa. E cada vez que distanciava-me de tudo, percebia que estava mais perto dele.

Percorri um longo caminho para perceber que eu havia deixado meu coração em casa. Um calafrio tomava conta do meu peito esquerdo quando notei o banco do carona vazio. Não tinha mais o cheiro do perfume dele ou a fumaça do cigarro passeando sobre a janela. Eu sentia tanto a falta dos teus cabelos cacheados sobrevoando com o suavizar dos ventos em teu rosto. Sentia tanto a falta dos teus olhares apaixonados sobre as minhas sobrancelhas mal-feitas. Sentia tanto esta falta tua, que não conseguia sequer ouvir mais o Rubel no carro sem você cantarolando; “Ben, chegaste em boa hora.”

Eu peguei a estrada para tentar te esquecer de vez, tentar te expulsar daqui de dentro como alguém que deseja escapar de uma droga viciosa. Mas percebi que matar você em mim, era morrer aos poucos também.

Eu pensava no ontem, no hoje, e queria mais da tua boca. Eu traçava outro rumo, conhecia novas estradas, e desejava teus beijos. Eu aprendia novas línguas, visitava outros lugares e pensava em você. Vez em quando eu até esquecia de ti, mas eu caia em mim e lembrava de novo, e voltava a esquecer, porém, lembrava novamente.

E não importava o que eu fizesse. Meus sentimentos já pertenciam a você. Meu coração já era teu. Até meus vícios mais profundos e profanos eram todos teus. De uma forma ou de outra, meus pensamentos sobre você, já faziam parte de mim.

E só hoje pela manhã eu notei que sem ti, eu sou uma refém-prisioneira das minhas próprias saudades.

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Pedro Ficarelli
Me chamo Pedro Ficarelli, tenho 25 anos e curso Letras. Garoto bobo apaixonado pela escrita e pelos contos do Gabito Nunes. Pernambucano de Olinda, carismático com um quê de romântico. Escrevo por vida desde moleque tímido com um sonho, de uma dia, minha palavras chegarem a teus ouvidos e visitarem teu coração. Escrevo para pôr palavras onde a dor se faz insuportável. Seja bem-vindo ao meu mundo, o nosso, onde um pouquinho de mim, somado a um pouquinho de ti, torna-se bastante de nós.

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