Se eu pudesse dizer algo nesse momento, esse algo seria: tire o peso dos seus ombros.

Imagem de capa: thitipa suwanchasri/shutterstock

Deixe as coisas ruins desmoronarem e irem ao chão. O pior já passou e você está bem agora. Precisa estar. É hora de abrir as janelas e deixar a luz entrar e iluminar o que antes era só incerteza e indecisão.

Mas lembre-se bem deste momento, se lembre de como se sentiu quando finalmente se deu conta de que a vida é feita de pequenos momentos – essenciais e pequenos momentos. Das reviravoltas inesperadas do destino nascem caminhos novos, esperando para serem cruzados.

O tempo pode até passar (e ele vai), mas esses pequenos momentos irão permanecer. É deles que nossas vidas são feitas. Por isso eles devem ser sempre lembrados com carinho, porque foram eles que te fizeram melhor, mais forte. Aproveite as pequenas maravilhas, os pequenos milagres que brotam quando você olha pro céu e sente que está exatamente onde deveria estar, pouco importando se ele está nublado feito saudade ou azul como o mar.

Deixe tudo o que for ruim pra trás, mantenha a cabeça erguida e o passo firme. Segue adiante, sempre em frente até que perceba que, no fim das contas, o que importa é o que a gente carrega no coração, longe das agendas e das obrigações cotidianas.

Quando te falarem de força, recorda apenas destes momentos únicos. Desses pequenos milagres que falei agora a pouco.

É que força é só uma palavra entre tantas outras. Dá até pra levantar um carro com ela, mas pouco serve quando o assunto é demover as montanhas que formam nossa paisagem interior. É pra isso que também serve o choro. Pra lavar as feridas deixadas pelo tempo que fingimos esquecer.

Chorar é dádiva de quem vive. O desabafar dos olhos torna mais leve o caminhar, lava o horizonte feito chuva matutina. Desafogar o peito das mágoas passadas e tirar dele tudo o que for pesado demais. É como mudar os móveis de lugar, ou colocá-los em liquidação para dar espaço para os novos que estão pra chegar.

A vida segue, às vezes corre mais que campeão de maratona, é verdade. Mas esses momentos, essas pequenas maravilhas, esses pequenos milagres vão te fazer lembrar que viver é bom, apesar dos tapas e tropeções.

O motivo de estar escrevendo isso?

É simples: eu sei bem que existem momentos em que tudo ao nosso redor parece desmoronar e não sabemos bem o motivo – às vezes sabemos muito bem. Daí a gente busca uma bebida ou um chocolate pra acalmar e esquentar o estômago e o coração, quando apenas uma palavra amiga bastaria e por vezes esquecemos que essa palavra pode vir dos lugares mais inesperados.

Afinal, o melhor confidente é aquele que ouve nosso silêncio, aquilo que não deixamos escapar pela boca, mas pelos gestos, pela maneira de respirar… pelas nossas reticências.

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Jocê Rodrigues
"É escritor e editor".

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