Saudades

Imagem de capa: Vladyslav Spivak/shutterstock

Palavra tão nossa, que não existe uma tradução específica em canto nenhum. Uns dizem que a saudade é o preço que se paga por viver momentos inesquecíveis. Outros dizem ser uma das drogas mais procuradas por seus constantes efeitos nostálgicos.

Saudade.

Saudades do quê?
Saudades de quem?
Saudades de onde?
Saudades de um nome.

Saudades do céu cor de tangerina nas tardes de um domingo relento. Saudades do sorriso bobo daquela pequena dos olhos castanhos e pele morena. Saudades das praias desertas que eu costumava fotografar com minhas retinas cansadas. Saudades da Renata, da Júlia e da Flávia.

Guardo cada um dos meus amores dentro do meu peito esquerdo e conto histórias pra mim mesmo do quanto desfrutei de cada momento, de cada instante, que se fizeram únicos aqui dentro. Coleciono lembranças gostosas nas últimas gavetas da minha estante e solto um sorriso bobo por saber que tudo aquilo, foi real. Cada beijo, cada abraço e cada afago nas madrugadas da vida.

A saudade bateu em minha porta e entrou assim, sem ser convidada.

E a gente faz o quê?

A gente agradece por não sofrer de Alzheimer e ter que esquecer de todos esses instantes que ficam marcados no fundo da alma. Vovó – que sofre de mal-de-Alzheimer – costumava dizer que doença alguma apaga a saudade que se tem de alguém, e toda vez que ela me diz isso, ela me conta da primeira vez que conheceu meu Vô.

Saudade é um sentir sem sentido, mas que dar sentido a tudo. Vez em quando em uma roda de amigos, sentamos e recordamos histórias engraçadas de quando ficamos bêbados e nem lembrávamos daquele dia. Histórias que se repetem infinitamente, e de tão incríveis que são, continuam arrancando sorrisos e altas gargalhadas em nossas vidas.

Saudade é tão íntima. Tão nossa. Tão linda.

De peito aberto, eu me deixo ser preenchido por diversas lembranças que fotografei com meus olhos. E no fundo da alma, eu guardo estes instantes as setes chaves, para que, nos dias tristes, eu possa recordar de todas elas e colocar um sorriso no rosto.

Saudade é vida. Mas bom mesmo – já diria o Hugo -, deve ser morrer de saudades.

Saudades…

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Pedro Ficarelli
Me chamo Pedro Ficarelli, tenho 25 anos e curso Letras. Garoto bobo apaixonado pela escrita e pelos contos do Gabito Nunes. Pernambucano de Olinda, carismático com um quê de romântico. Escrevo por vida desde moleque tímido com um sonho, de uma dia, minha palavras chegarem a teus ouvidos e visitarem teu coração. Escrevo para pôr palavras onde a dor se faz insuportável. Seja bem-vindo ao meu mundo, o nosso, onde um pouquinho de mim, somado a um pouquinho de ti, torna-se bastante de nós.

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