Quando não há ódio dentro, não há inimigos fora

Imagem de capa: AnnaTamila, Shutterstock

Nossa personalidade e a forma única como vemos a vida condicionam a maneira como nos relacionamos com os demais. Em determinadas situações, projetamos nossas características às pessoas ao nosso redor, atribuindo a outros comportamentos ou pensamentos que, no fundo, são nossos. Nesta linha, ter inimigos pode estar mais relacionado com como enfrentamos as situações na nossa mente do que com as circunstâncias que verdadeiramente acontecem conosco.

Às vezes, o pior ataque que podemos sofrer não vem do exterior, mas sim de nós mesmos. São situações nas quais nos sentimos agredidos por ataques externos, e sentimos condições internas como a raiva, a impotência e a vergonha social; é precisamente isso que vem de nós mesmos que faz com que nos sintamos fracos e inseguros, fazendo com que vejamos os outros como inimigos.

Para a nossa estabilidade emocional, é fundamental saber reconduzir a raiva que essas situações produzem. Saber que situações e circunstâncias influenciam negativamente a nossa vida é crucial para podermos identificar o que ou quem estamos enfrentando.

Não há dúvidas de que o pior ataque não é o que vem de fora, mas sim o que vem de dentro, provocando uma autovalorização negativa que acaba nos destruindo como pessoas. Essa autovalorização negativa transforma nós mesmos em nosso pior inimigo, já que nosso equilíbrio emocional depende, em grande medida, da nossa autoestima.

“Se há vitória em vencer o inimigo; há mais ainda quando o homem vence a si mesmo”.
-José De San Martín-

Quando o inimigo é você

Robert J. Sternberg, professor da universidade de Yale e ex-presidente da Associação Americana de Psiquiatria, distingue pelo menos dois tipos de inimigos: externo e interno.

Os inimigos internos, como seu nome sugere, se referem aos que se encontram em nosso interior, como nossos pensamentos. É quando os pensamentos negativos nos agarram em um laço e nos levam à raiva, à fúria, ao ódio, nos fazendo ver o outro como um inimigo por nos “causar” diversas situações dolorosas.

Esse inimigo interno provém da irracionalidade, que nos provoca pensamentos negativos. O bem-estar emocional depende fundamentalmente de não se deixar levar pelos pensamentos automáticos, já que estes têm características muito negativas:

– São irracionais, ou seja, não se ligam aos fatos objetivos, à realidade;
– São automáticos, funcionam como um reflexo corporal que se produz sem que voluntariamente o propiciemos;
– São exagerados, dramáticos, e sempre negativos, geram um enorme mal-estar emocional de forma gratuita, sem que possamos tirar o menor proveito.

“Nem seus piores inimigos podem te fazer tanto mal quanto seus próprios pensamentos”

Como controlar os inimigos?

Gandhi praticava um método passivo para “lutar” contra seus inimigos: a não-resistência construtiva. Essa é uma forma ativa de se relacionar com o inimigo por meios positivos, uma forma proativa de lidar com as adversidades. Há um amplo leque de situações nas quais precisamos enfrentar a nós mesmos nas relações pessoais. Para lidar com situações de conflito, é importante:

– Não lutar pelo simples fato de lutar;
– Não lutar para inflar nosso ego;
– Não lutar para exaltar nosso orgulho;
– Não lutar para vencer nosso adversário ou para castigá-lo;
– Lutar somente para obter um fim maior;
– Lutar para conseguir superar nossos problemas.

Por mais que nos esforcemos, as situações conflitivas não desaparecerão de nossas vidas, por isso é importante aprender a controlar o efeito que elas causam em nós.

“Dizem que nosso inimigo é nosso melhor mestre. Ao estar com um mestre, podemos aprender a importância da paciência, do controle e da tolerância, mas não temos a oportunidade real de praticá-la. A verdadeira prática surge ao nos encontrarmos com um inimigo”.
– Dalai Lama-

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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