Quando compreendi nossa singularidade, pude me apaixonar de novo, em paz…

Imagem de capa: Alissa Kumarova, Shutterstock

Ele sempre foi o tipo de cara que tinha a mulher que quisesse a hora que quisesse, e nunca ficou sozinho por falta de opção. Sempre esteve rodeado de olhares e mulheres que dariam e fariam tudo para estar no meu lugar. Confesso que ao mesmo tempo que isso me orgulhava (poxa, eu não era qualquer uma… Exclusiva que eles falam né?), nunca soube direito como lidar com isso. Cada comentário numa foto me aguçava os nervos, tanto que o ciático chegava a doer. Brigamos várias vezes. Expulsei mulheres oferecidas de seus perfis e engoli outras que até hoje estão entaladas no meu esôfago. Nós terminamos, para os outros. Porque continuamos nosso relacionamento sem ninguém saber.

Eu não entendia porque ele desistiu de ter a mulher que quisesse, já que muitas estavam tão disponíveis para ele, como eu estou para me entupir de chocolates nessa Páscoa. E ele sempre me dizia “Não estou pra isso” assim seco, mesmo estando solteiro e sendo tão sexual. Ouvi dizer que homem tem seus instintos, que homem não pode ver mulher bonita, que não fica muito tempo sozinho. Então, que raio de homem é esse meu Deus? (Como diria uma amiga baiana, de raiz!). Quarta-feira disse à esteticista, entre tantas outras coisas, que ele não é o tipo de homem que se atrai por mulher oferecida. Hoje ele ficou enciumado porque usei o apelido dele com outra pessoa. Achei bonitinho.

Fiquei toda boba. E mesmo abestalhada eu me perguntava o porquê isso o incomodou, já que ele nunca foi de dramas. Enchi um balde com as palavras “assume que você está com ciúmes” e joguei no meio da conversa sem medo. Depois de muita reluta, ele não confessou, mas disse que é um ciumento leve ou moderado, não me recordo nesse momento. Ele ainda me perguntou se eu me importaria caso ele chama-se alguém pelo meu apelido, e naturalmente lhe proferi um não, cheio de certeza. Foi pacífico responder à essa pergunta. Expliquei-lhe que ainda que usássemos nossos apelidos com outras pessoas, eles não soariam o mesmo significado.

É como o beijo, que não tem o gosto da boca, tem o gosto do amor, por isso as bocas beijadas sem amor são só uma troca bacteriana sem sentido. Naquele momento, não pensei, ou melhor, pensei e transcrevi meu pensamento na janela de conversa dele “eu serei sempre sua pequena, e você será sempre o meu barbudo”. Foi numa das tentativas de despedidas que ele me disse que o que eu fui e fiz para ele, ficaria para sempre lá. E na mesma conversa de hoje ele disse com afinco “converso assim com você, porque é você quem me deixa louco, não as minhas amigas”.

Foi então que a certeza me permitiu um sorriso largo. Nenhuma mulher foi ou será capaz de fazer ele sentir o que eu faço. Porque nenhuma mulher tirou o desejo dele de ser de outras, e o manteve por perto, mesmo sem ter obrigação nenhuma. Quando compreendi que ninguém no mundo vai nos proporcionar o que nós nos proporcionamos um ao outro, entendi que atrações físicas são comuns, mas conexões mentais são raras. Nós somos raros. Eu sou única para ele.

Quando deixei de me preocupar com as ervas daninhas que se aproximavam, o enxerguei ali, do meu lado, e se ele permanece ali, do meu lado mesmo com as portas e as janelas abertas e escancaradas, não é porque o possuo, mas porque o conquistei. Hoje ele riu num áudio curto e com uma conversa rotineira, e ao falar “é sério” rindo, eu me apaixonei por ele como da primeira vez.

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Ana Carolina Santos
"Fisioterapeuta por formação e de coração; Virginiana com ascendente em Peixes; Cantora por hobbie; Apaixonada por Teatro Mágico e fotografia. Romântica, sensível, e apimentada. Menina mulher, de uma Fé inabalável."

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