Não me leve tão a sério

Imagem de capa: Matyuschenko, Shutterstock

Eu retiro o que eu disse, quero me apaixonar sim. Tô aqui pra me contradizer, dizer que aprendi e que mudei de opinião. Eu quero me apaixonar por uma noite só, de uma vez só, quero contar as horas pra ir pra casa e te devorar, quero deixar o tesão mandar da gente e acordar a vizinhança. Eu tô aqui pra mexer com a tua cabeça, te fazer me engolir inteiro, engolir teus discursos sobre não se entregar por completo a ninguém.

Quero me apaixonar, o que não quero é casar com você, não hoje, não quero é te prender e perder a graça de não saber se você vem. O que não quero é o peso te trazer aqui, quero é teus olhos me tirando do sério e chamando a atenção de todo mundo ao redor. Eu quero matar essas suas vontades que sempre estão acima do julgamento alheio. Eu quero continuar me surpreendendo, te surpreendendo, te comer em outros lugares estranhos, correndo riscos. Eu não quero te ver todo dia, não quero tuas coisas junto as minhas, eu quero que o desejo fale por nós, não tenho levado meu coração pra cama.

É só paixão. É que sem paixão a vida não tem graça, o trabalho não tem graça, o sexo é “meia boca”! Mas não quero amor, não pra hoje, não por enquanto. Que graça teria o amor sem tesão? Quero te ver gritando, gozando, enlouquecendo e te sentir inteira aqui, mesmo que só uma vez nessa semana. Eu sei que promessas não funcionam, não nem cumpro o que prometo a mim, já parei de correr, tô comendo besteiras e até ando bebendo durante a semana sem nem me julgar. Não quero suas promessas também. Só marca alguma coisa pra semana que vem, um final de semana com praia, sol e nós dois. Nem precisa falar nada, só geme aqui no ouvido que eu faço o que você pede.

Não me tão leve a sério, não confunda minha intensidade com carência. Eu não preciso de você, eu quero, é supérfluo, mas eu quero e vou continuar querendo, vou continuar te devorando enquanto você escreve seu nome com as unhas na minha pele. Vou continuar, até que nos entreguemos um ao outro e que a paixão nos vença, ou que até que não nos suportemos mais. Sou taurino, sou teimoso, nem vem me convencer que tô errado, nem tenta. Não faço o tipo indeciso. Vou te explicar uma coisa menina, comigo, é oito ou oitenta.

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Giovane Galvan

Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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