A triste geração que prefere mentir do que sentir

Imagem de capa: Max kegfire, Shutterstock

Chegamos em um ponto crítico da vida. Infelizmente, é mais comum mentir do que sentir. Somos uma triste geração tão acostumada com a negação, que corremos de qualquer possibilidade verdadeira de aproximação.

Na infância, podíamos pensar muitas vezes sobre o constrangimento de demonstrar afeto em público. Principalmente pelos nossos pais e outros parentes. Não é que fôssemos avessos ao carinho, mas era um trato social não expor certas atitudes na frente de estranhos. Com o tempo, na adolescência, ignoramos qualquer protocolo na busca por um alguém que nos completasse. São os hormônios, dizem. Era liberado ter uns momentos a mil por hora com alguém. Os cinemas que o digam. Mas o tempo passou. E passou rápido.

Hoje, somos uma geração de adultos que não sabe lidar com os sentimentos. Gostar é pouco, amar é muito e mentir tornou-se o ideal. Por quê? Por que fingir, mascarar e manipular experiências para um ganho exclusivo? Será que tivemos tantos tropeços ao longo da vida que viramos cascas sem nada para oferecer? Quando foi que o amor virou essa pedra no sapato? Quando, no mais irresponsável dos encontros, decidimos que não valeria a pena sentir, mas sim distorcer a realidade?

Talvez, essa seja história que preferimos contar. Aquela na qual viramos vítimas de outras sensibilidades não correspondidas. Onde, escolhendo o sentir errado, fizemos um voto de não mais permitirmos algo de verdade. Trouxa de novo? Nem pensar. Se fosse assim tão fácil. Se fosse assim tão difícil. No fundo, é tudo sem sentido, mas com sentimento. Trouxa é fingir não querer, querendo. É estipular atitudes, ditar os discursos e anotar num caderno quantos flertes foram entregues. Paremos. Paremos antes que seja tarde. Paremos antes que a mentira fique convincente. Paremos antes que o coração cegue.

É triste uma geração que prefere mentir do que sentir. Chegamos em um ponto crítico da vida, onde nada nos resta a não ser jogar toda essa bobeira de negar para o alto e, finalmente, urgentemente, com gentilezas, apenas sentirmos. De uma vez por todas, por favor.

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Guilherme Moreira Jr

“Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro”

5 COMENTÁRIOS

  1. Eu concordo sim com o texto, mas acho que em muitos casos nem há o sentimento reprimido ou bloqueado por experiencias passadas ou o medo de se expor, isso é até poético, mas o fato é que a maioria das pessoas usam umas as outras, como se fossem roupas, buscam qualidades em seus parceiro(a)s que compensem suas deficiências, porém tudo voltado para o que esta em volta, o publico, para o que os outros vejam. Nunca admitem seus erros, pelo contrario, criam historias onde se vitimizam sempre. são fracas, tem dificuldade em tudo( pra alguem vir e fazer no seu lugar), querem provar que sempre estão felizes, que a vida é muito intensa, querem estar em todas as festas e saber o nome de todas as bebidas( e prova-las é claro). Usam da sua beleza como se fosse infinita, mas ela acaba, e quando acaba, vem a vontade de achar alguém de “verdade”.. eis que não acha.. o tempo passou.

  2. Já é tarde demais para qualquer coisa nesta geração, o que resta é a terapia e os remédios, aceitem, somos uma geração de doentes incapazes de engolir o próprio orgulho.

  3. É uma geração desesperada esta. Isso porque, deixaram o mais importante para trás Deus. Ele é nosso criador e nos ensina como usar nossa vida, portanto,somente ele tem o manual de instruções. Então, realmente, se queremos viver intensamente e bem, sigamos a orientação dele, e por experiência própria, lhes digo caros leitores, seremos verdadeiramente felizes, no íntimo, sem precisar mostrar para ninguém. É uma paz profunda e verdadeira, e você jamais precisará de uma mentira.

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