O lugar mais proveitoso que você precisa conhecer: o fundo do poço.

Imagem de capa: Everett Collection, Shutterstock

Falando assim, um quê de loucura parece berrar dentro da mente de quem vos escreve. No entanto, se analisarmos com muito cuidado, o chamado fundo do poço é o lugar mais proveitoso que alguém pode conhecer. É ele o ponto final que nos leva a dar uma guinada na própria vida. Ao chegar ao fundo do poço, não há mais para onde ir, além de para cima. O fundo do poço é o lugar mais necessário às pessoas para aprenderem a dar valor à escada.

Entendam, o fundo do poço não é o final, pelo contrário, ele é exatamente aquele lugar que faz você refletir na própria vida, olhar para dentro de si mesmo e pensar: “Êpa! Posso ser melhor que isso! Posso sair dessa!”. No fundo do poço, começamos a pensar nas estratégias que podemos desenvolver para sair dali. Sim! É o próprio fundo do poço que nos impulsiona para cima, que nos ensina como construir uma escada eficiente. Pessoas que ainda não conhecem o fundo do poço, ainda não têm essa frieza de sacodir a poeira após uma queda homérica, mas os habitués neste lugar sabem bem como é estar lá e como tudo que aprendemos com essas quedas nos fazem mais fortes.

O fundo do poço é um lugar de lição, de reflexão, de aprendizagem. É a oportunidade para olhar para dentro de si e entender o que é que está faltando para ser alguém melhor, para alcançar aquelas metas de fim de ano ou os planos anotados na agenda. Depois do fundo do poço, ninguém consegue carregar dentro de si o velho menino mimado, porque já não há mais lugar para a fraqueza que ele insiste em fazer brotar. Quando sentimos o impacto com o chão duro e frio do poço, nos atordoamos, mas aos poucos começamos a compreender o que ocorreu e como é imperativo encontrar uma forma de sair dali. É neste instante que surge a construção da escada.

A escada é tudo aquilo que precisamos fazer para sair do fundo do poço, é as duras penas que precisamos enfrentar. Sabem que o caminho é mais importante que o próprio lugar onde ser quer chegar? É o caminho que constrói a nossa história. Na maioria das vezes, vamos encarar tudo isso sozinhos, porque a vida é uma vida de muitas companhias, mas de poucos companheiros. A saída do poço é muito mais dolorosa que a queda em si. Construir esta escada é um processo, cheio de detalhes e desafios. Tão cansativo, que a maioria passa anos dentro do poço, abatida, olhando para cima, contemplando o brilho das estrelas e respirando fundo, com saudades do mundo lá fora. O fundo do poço é o lugar que vai te proporcionar a melhor experiência de autoconhecimento de toda a sua vida. Nada, nem ninguém, pode te ajudar tanto, quanto o fundo do poço. Então, aprenda a ver o fundo do poço com respeito, pois ele vai te fazer ser uma pessoa melhor e mais forte. A escada que você irá construir a partir dele poderá mudar todo o seu destino. Muitas pessoas mudaram completamente a própria vida após uma queda ao fundo do poço e tornaram-se pessoas de tanto sucesso, que até elas mesmas se surpreenderam com o resultado.

A queda faz parte da vida do ser humano e o levantar-se está dentro do instinto dele. Quando aprendemos a enxergar estas situações como oportunidades de aperfeiçoamento pessoal, tudo ao nosso redor evolui: nosso humor, o ambiente, as relações interpessoais, os eventos que ocorrem conosco etc.

Já dizia o saudoso Sabino: “Fazer da queda um passo de dança.” E por que não?

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS





Rândyna da Cunha
Rândyna da Cunha nasceu em Brasília, Distrito Federal, em 1983. Graduada em Letras e Direito, trabalha como empregada pública e professora. Tem contos publicados em diversas revistas literárias brasileiras, como Philos, Avessa e Subversa. Foi selecionada no IX Concurso Literário de Presidente Prudente. Participou da antologia Folclore Nacional: Contos Regionalistas da Editora Illuminare e das coletâneas literárias Vendetta e Tratado Oculto do Horror, da Andross Editora- http://lattes.cnpq.br/7664662820933367

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here