Na escuridão sempre há pessoas iluminadas que nos guiam

Imagem de capa: Archv, Shutterstock

Em épocas de escuridão, sempre há pessoas iluminadas que nos guiam. São como a luz do sol entrando por uma janela de vidro para nos inspirar, para nos dar esperança nesses momentos em que perdemos o rumo, o ânimo, e o norte das nossas bússolas vitais. São remédio para o coração nos momentos de adversidade.

Temos que admitir: todos nós precisamos de alguém que se preocupe conosco. Podemos amar a nossa independência, a nossa orgulhosa autossuficiência e pensar até mesmo que nós mesmos levamos o sol dentro de nós. No entanto, quando há uma tempestade lá fora, mais cedo ou mais tarde surgem as goteiras da tristeza, as infiltrações do medo, a insônia e esse desconcerto vital que somente o apoio afetivo, a empatia e o carinho podem aliviar.

“Às vezes a nossa luz se apaga e volta a acender através da luz de outra pessoa.”
-Albert Schweitzer-

Mas aqui está um fato curioso: o ponto de vista da psicologia social nos revela que oferecer apoio emocional é uma arte que nem todos dominam. Por mais estranho que pareça, às vezes quem mais nos ama pode nos dar um tipo de atenção desproporcional capaz de gerar em nós um sentimento de dependência, de ineficiência ou fraqueza.

O tipo de apoio mais eficaz é aquele que está sempre presente, mas de uma forma sutil, envolvente e autêntica. Falamos também deste tipo de ajuda em que nenhum dos membros sentirá que está em dívida um com o outro, porque não há “doadores” e “receptores” de afeto, o que há é um vínculo onde existe uma reciprocidade fluida, sutil e maravilhosa.

Propomos que você reflita sobre este tema tão interessante e, ao mesmo tempo, dotado de diversas nuances.

Pessoas que corroem e pessoas iluminadas

Todos sabemos o que é a empatia e qual é o seu impacto em nossas relações do dia a dia. Mas temos certeza de que em mais de uma ocasião, quando você lida com alguém incapaz de se conectar com os outros, alguém com certas nuances agressivas, hostis e até mesmo destrutivas, você costuma dizer que “essa pessoa não tem empatia“.

Simon Baron-Cohen, professor da Universidade de Cambridge e especialista no desenvolvimento da psicopatologia, define estes traços psicológicos usando um termo que vale a pena recordar: “empatia corrosiva”. Segundo ele, este comportamento surge quando alguém não deixa apenas de se “conectar” com o próximo, como também vai corroendo, minando e fragmentando com persistente lentidão quem está por perto. São perfis dotados, efetivamente, de uma certa escuridão.

No polo oposto estão sem dúvida as pessoas iluminadas. Mais do que vê-las como personalidades de grande nobreza e bondade, podemos defini-las como homens e mulheres que “sabem ser e deixam ser”, como facilitadores de harmonia interna, como fiandeiros emocionais que reúnem nossos pedaços rasgados para nos recordar, mais uma vez, o quanto podemos ser belos e importantes.

Características psicológicas das pessoas iluminadas

Assinalamos no início que dar apoio é, na realidade, um tipo de arte que nem todo mundo sabe praticar. Por exemplo, algo que vale a pena recordar é que no momento em que se diferencia claramente o doador do receptor, às vezes podem surgir certos incômodos. O receptor pode se sentir como “devedor” ou se transformar em dependente de um doador que desfruta do seu papel de cuidador.

– As pessoas iluminadas, por outro lado, não assumem em nenhum instante um papel de cuidador: elas são facilitadoras.
– Elas sabem estar sem controlar, sem julgar e sem exercer em nenhum momento uma atenção constante onde a outra pessoa acabe desenvolvendo certa dependência. São especialistas em gerar um verdadeiro crescimento pessoal.
– Elas respeitam espaços, sabem estar presente quando é necessário e proteger a intimidade do outro quando ele precisa.
– Elas são presenças presentes, mas sempre sutis, com a capacidade única para nos lembrar quem somos. Elas se preocupam, trazem positividade, encorajamentos e esperanças para nos sintonizarmos mais uma vez ao burburinho da vida, do otimismo.

Como aprender a dar luz, como oferecer um apoio emocional autêntico

As pessoas iluminadas nos guiam em tempos de dificuldade, nos acompanham em momentos de bem-estar e nos inspiram na cotidianidade do dia a dia. Isso é algo que todos nós sabemos. Mas… será que seríamos capazes de lhes oferecer um apoio com uma qualidade e autenticidade semelhante?

“Se você acender uma luz para alguém, também irá iluminar o seu próprio caminho.”
-Buda-
Acredite ou não, oferecer apoio emocional não é fácil. Fazer isso exige um autoconhecimento muito profundo, uma boa gestão das próprias emoções e uma descentralização desse “eu” para sentirmos empatia em todos os sentidos.

Chaves para desenvolver um apoio real

Há quem consiga empatizar afetivamente com a outra pessoa, mas não chega nunca a desenvolver uma empatia cognitiva. Não se trata, portanto, apenas de “sentir” o que a pessoa que está diante de mim está vivendo, eu devo compreender isso.

– Por sua vez, é necessário desenvolver uma precisão empática. Falamos a capacidade de inferir corretamente o estado mental em que a outra pessoa se encontra. Para isso, é preciso saber fazer as perguntas corretas, não fazer julgamentos em voz alta e escutar com atenção.
– Evitar aumentar a ansiedade da outra pessoa com as clássicas expressões de “isso não é nada” ou “poderia ser pior“.
– Além disso, também temos que ter em mente que quem está realmente mal não quer ouvir as típicas frases de “estou aqui para o que você precisar” ou “pode contar comigo“. Mais do que palavras, essas pessoas precisam de fatos reais, tangíveis e visíveis.

As pessoas iluminadas são de poucas palavras, mas de grandes atos. Elas estarão ao seu lado antes de você pedir e serão capazes de ler os seus pesares e as suas tristezas no seu olhar. Para concluir, o que às vezes entendemos como apoio, na verdade não é tanto. O bom apoio não se baseia somente em dizer o que é correto, mas também em fazer o que é apropriado através de pequenos atos de bondade e de um interesse sincero.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: “A Soma de todos Afetos”.

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