Eu sinto muito (não estou me desculpando)

Imagem de capa: Lolostock/shutterstock

Esse não é um texto de desculpas e nem argumentativo dos motivos de eu ser assim. Esse é um texto pra que vocês entendam como é sentir tudo demais.

Primeiro que eu não escolho quando vai acontecer, então a primeira frase que você deve banir das suas conversas comigo: “Mas como você tá apaixonado de novo?”. Sério, eu sinto demais a dor do seu julgamento, também.

Como eu não escolho, pode ser que aconteça nos lugares que nem sempre são “normais”. Já senti demais em baladas, já senti demais em transporte público e até já senti mais com um sorriso lindo que me lançaram uma vez. Você deve estar pensando “ah, isso é lindo, se encantar facilmente” ou “nossa, você deve se ferrar horrores com isso”. A segunda opção. Sempre!

Falando na real e esquecendo da parte do amor. Quando se sente demais, você sente TUDO demais. A rejeição, a mágoa, a palavra que sai meio torta (ou que pelo menos eu entendo assim), o silêncio sem explicação, então, nem se fala. Tudo parece ser o fim do mundo, cada coisinha aperta o meu peito e no final eu me sinto o único culpado por isso que está acontecendo comigo.

Não, não tem como “deixar de ser assim”, não tem como eu me acalmar e nem dizer para o meu coração desacelerar quando ele decide que vai se encher de sentimentos. Não existe isso de não ligar, de tirar minha mente do assunto, focar em coisas boas.

Mas claro que há também as vezes que eu não sinto absolutamente nada. Nem um arrepio, nem frio na barriga e nem vontade. Exatamente, fico cheio de uma preguiça descomunal de jogos de sedução, de conversas de elevador, de ficar olhando pra alguém do outro lado da pista e demonstrar interesse pelo olhar. Vocês tem noção de como isso soa idiota? Pô, não é muito mais fácil chegar e mandar um “oi” na lata? O máximo que eu vou te dar é um não, mas juro que vai ser com jeitinho, afinal nenhum dos dois é culpado se não rolou o clima. Ah, e entenda o não logo de primeira, por favor.

Não é fácil sentir demais, não é fácil ver que o outro só usou artifícios pra poder te conquistar no momento e conseguir o que ele queria. Mas não é algo que vá sair de mim tão facilmente, por mais que eu sofra, por mais que eu sinta demais a dor que vem depois. Eu não abro mão dos sorrisos que dei com alguém que abriu a conversa com uma piada, nem da sensação de estar nas nuvens quando alguém me abraçou ou me elogiou, ainda mais os elogios que vão além da estética. Aqueles do tipo “sua risada é gostosa” ou “nossa, você lê todos os outdoors em voz alta, que fofo”. Acredite, esses ganham um coração muitos mais do que um “tu é muito gato”.

Então não diga pra eu me acalmar, me abrace. Não me mande ir devagar pra não me machucar, escute o que tenho a dizer. Não diminua o que eu sinto, tente entender. Não diga que vai passar, diga “eu estou aqui enquanto doer”. Pois eu posso sentir demais uma dor, mas também sinto demais um companheirismo.

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Gabriel Bernardi
"Estudante de Rádio, Tv e Internet, Cinema e amante da arte de se expressar por palavras. Canceriano, ascendente em Libra, acredita que o amor muda a forma que vemos o mundo e como levamos nossa vida. Livros sempre foram seus melhores professores, nos trilhos de trem e metrô aprendeu muito sobre pessoas. Considera um prazer escrever pra si mesmo e agora uma honra ser lido por você." Também publicando em: https://medium.com/@gabriel.bernardi

8 COMENTÁRIOS

  1. Vc disse que “não, não tem como deixar de ser assim”. Bem, é a primeira vez q comento o post de um escritor, mas achei válido te dizer que tem sim! Se é o que vc almeja, acalme seu coração em relação à isso, pois é possível e um dia chega, não sem trabalho, esforço e autoconhecimento.

  2. A resposta está na estética do equilíbrio emocional e o domínio de ser e sentir.Eis o sabor que tem a escolha quando razoavelmente utilizamos a razão pra ser ou estar em uma construção de estado emocional. Não existe distinção sentimental no ser ao experimento entre o prazer é o desprazer, ambos tem um resultado que lhes é peculiar,o importante mesmo é saber em qual estado lhes cabe permanecer. Na vida o importante mesmo é saber é ser feliz.

  3. A resposta está na estética do equilíbrio emocional e o domínio de ser e sentir.Eis o sabor que tem a escolha quando razoavelmente utilizamos a razão pra ser ou estar em uma construção de estado emocional. Não existe distinção sentimental no ser ao experimento entre o prazer é o desprazer, ambos tem um resultado que lhes é peculiar,o importante mesmo é saber em qual estado lhes cabe permanecer. Na vida o importante mesmo é saber ,e ser feliz.

  4. E no primeiro parágrafo já pensei ” foi um canceriano que escreveu” obrigado em meio a lágrimas leio esse texto que me descreve tão bem. Eu me odeio por me apaixonar pelo sorriso de alguém e achar que não vai ter mais ninguém com algo tão belo, eu me odeio por me entregar por inteiro a pessoas pela metade, eu me odeio pois em meio a um turbilhão de coisas e sentimentos adversos me pego pensando no cara que conheci não faz um mês

  5. Pô, é exatamente assim, tudo é bem assim sinto tudo demais, como as vezes não sinto nada, nada mesmo.
    Já procurei especialistas e nada, pois acreditava ser uma doença, hoje continuo sendo assim, mas isso não me domina, sinto no momento, mas depois sigo em frente, pois a extremidade não me domina,
    Aprendi a viver o lado bom de ser assim, pois vivo intensamente cada momento comigo mesmo.

  6. Identifico me bastante com tudo o que li, feliz ou infelizmente não sei, também sinto de mais… As palavras que ficam por dizer, os silencios ensurdecedores, noto tudo. e isso causa uma dor impossível de explicar, só sentindo mesmo, mas a verdade é que é possível sim deixar de ser assim, e isso não significa tornar se frio, insensível, não significa que nos rendemos as massas, deixamos de ser quem somos… Apenas entendemos que as coisas não precisam de ser tão difíceis, quando entendemos que ninguém merece essa dor, aí mudamos…

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