Ela e seu coração confuso que não sabe se deve amá-lo

Imagem de capa: ver0nicka, Shutterstock

Ele não se encaixava em nada do que um dia ela sonhou em ter. Ela tinha na cabeça um certo padrão estabelecido e consagrado há anos. Tinha o seu estereótipo favorito que fazia parte dos sonhos que tinha diversas noites por mês. De acordo com ela, o seu cara não tão perfeito assim tinha que ter uma pele meio pálida, cabelos negros cortados baixinho – mas jamais careca, com olhos castanhos escuros, barba por fazer, um sorriso que mostrasse dentes brancos e alinhados, além de um rosto em formato quadrado.

E no restante do corpo ele devia ter ombros largos e que o tronco fosse proporcional as pernas, porque não se atraia em nada por homens estilo sorvete. E que suas roupas não fossem caras demais, pois se andasse por aí exibindo marcas e logos era sinal de tentar parecer o que não era, e a última coisa que ela queria era um manequim humano andando para chamar atenção para si. Que ele fosse simples, mas não andar com roupas com furos e manchas de creme dental. E tinha que ser perfumado, mas não com cheiro amadeirado e nem cítrico.

Sim, essa mocinha é bem exigente e não me surpreende que esteja solteira desde o dia em que sua mãe a botou no mundo. E nem que não havia sido beijada por garoto nenhum. Mas ela dizia que havia escolhido esperar, porém chegou a refletir sobre isso e pensou que, às vezes, nem era questão de escolha e sim falta de pessoas que a quisessem. Pois parecia que ela era invisível. Ninguém a olhava com desejo. Ela era a menina amiga, conselheira, inteligente e engraçada, mas não era a menina sensual, provocativa, bonita e cheia de pretendentes.

Mas parecia que algo estava mudando. Ela sentia, não sabia como, mas tinha uma coisa que parecia dizer que seus dias solitários estavam chegando ao fim. O problema era que não era nada do que ela sonhou um dia. Não fazia parte dos seus padrões, gostos, preferencias e vontades. Ele era o oposto do que ela queria e isso não era justo segundo ela. Porém, parecia que não havia alternativa. E ela ponderou sobre isso – será que não estava vendo coisas demais onde não havia nada? Talvez apegando-se a um raio de sol, como se ele fosse o único a lhe dar algum brilho no meio da nevasca?

É certo dizer que ela devia abandonar suas ilusões infantis, abrir os olhos e olhar em volta com maturidade. Deixar de ser a adolescente apaixonada pelo ator principal e ser a adulta que encara a realidade com verdade e menos criticidade. Tinha que diminuir suas irônicas e sarcasmos e ficar afastando a todo custo quem tentava se aproximar. Precisava abrir o coração e dar uma chance a quem está tentando ao menos uma amizade sincera. Contudo, ela tinha medo de errar de novo, de chorar, de gritar sem voz e querer morrer.

Já tinha sido machucada tantas vezes, mesmo que não estivesse propriamente em um relacionamento. Sofreu a dor de promessas, de confiar demais, abrir o coração e não receber nada além de mentiras. Cansou de ser a menina que é deixada por último, aquela que fica na fila por tempo demais e, quando chega sua vez, já acabou o que tinham para ela. Estava triste por ser só, mas via nisso um refugio e preservação das partes ainda intactas.

De acordo com ela, tinha que se cuidar sim, proteger sim, se esconder sim. Que ele fosse e batesse na porta quantas vezes quisesse porque ela não abriria para qualquer um. Tinha que ser o cara dos sonhos, senão preferiria ficar só como sempre foi, e não devia se precipitar e escolher a pessoa errada porque talvez o seu homem poderia estar à semanas de distância e quando lhe visse com outro, daria meia volta para ir embora.

Além do mais, tinha Deus no relacionamento; Não era só ela e mais um cara, mas era ela, o cara e Deus. Não poderia aceitar menos do que Deus queria para ela, mas também não poderia se fechar e não querer o que Deus havia mandado e ela se recusava a receber. Por isso estava tão confusa, pensativa e reflexiva. Não sabia o que fazer. Se tinha que esperar, continuar só, ou falar que sim e que tudo bem, vamos tentar.

Estava com tanto medo de dar o passo errado, mas também estava com mais medo ainda de não dar passo nenhum e esse ser o fim da sua felicidade que nem chegou a começar. O que fazer quando não se pode confiar em si? Não há mais nada a fazer que não seja orar. Porque apenas Deus tem a resposta para esse coração confuso que não sabe em quem acreditar, se em si ou nas opiniões dos seus amigos e familiares. Ou ainda, se a pessoa que se dispõe a se aproximar aos poucos, querendo um pouco do seu amor guardado a sete chaves.

Porque orar é confiar em quem sabe de tudo e reconhecer que apenas Ele conhece o futuro. Assim sabe qual é o melhor caminho a seguir, se é essa a pessoa mesmo ou se deve esperar por outra. Porque Deus faz além do que pensamos e ousamos imaginar. Ele nos dá o que precisamos e que nos irá fazer feliz, e não o que queremos que pode nos provocar uma dor imensa. Então orar, confiar, esperar e dizer sim, aqui na Terra, quando Ele já disse sim lá do céu.

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Tatielle Katluryn
Nessa existência já há 20 anos, com sangue Maranhense e coração pertencente ao céu. Sou cristã e estudante, apaixonada por livros do séc. XIX e Astronomia. Escrevo desde os 13 anos, mas nunca imaginei que a escrita faria parte da minha vida e hoje não passo um dia afastada das palavras. Mas nada disso é mérito meu, pois Deus me chamou para falar aquilo que Ele quer dizer as pessoas, para levar a paz a corações como o meu.

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