Tanto faz se sobe ou se desce: o melhor caminho não é o mais fácil, mas o que leva para onde se quer chegar

Imagem de capa: Galyna Andrushko, Shutterstock

Ao escolhermos outro caminho, terminamos chegando também a algum lugar, mas normalmente não onde queríamos.

Em Salvador, no centro histórico, há uma rua chamada de Ladeira da Preguiça. Quem a conhece e já subiu por ela da Cidade Baixa para a Cidade Alta entende bem o porquê do nome. Ele sente a mesma preguiça que deu nome à rua, na época em que os escravos tinham que subir carregando as mercadorias do porto e sentiam pouca vontade de enfrentar aquela rampa. Era mesmo de dar preguiça, mas quem queria (ou tinha que) chegar até em cima era obrigado a enfrentar sua ingremidade. Não tinha jeito.

É assim também na vida. Há caminhos que não podemos evitar. Muitas vezes até podemos, mas, ao escolhermos outro caminho, terminamos chegando também a algum lugar, mas normalmente não onde queríamos.

Para atingirmos o que queremos, temos que estar dispostos a enfrentar as ladeiras da vida, às vezes subindo, às vezes descendo, mas sempre caminhando, sem desvios, sem se deixar levar pela preguiça de prosseguir e sem cair na armadilha de acreditar que o caminho mais fácil é sempre o melhor. É claro que não precisamos dificultar as coisas desnecessariamente, mas há caminhos que são importantes para nosso crescimento exatamente por não serem fáceis e é bom ter a coragem de segui-los.

Quem quer passar numa prova tem que estudar, quem quer construir uma casa tem que colocar um tijolo sobre o outro e quem quer ver o mundo de cima tem que escalar a montanha para chegar ao pico. É claro que encontramos tentações no trajeto e convites para tomar o caminho mais fácil ou até mesmo pegar um atalho, o que é válido, mas jamais será a mesma coisa.

Duas pessoas resolvem, por exemplo, subir na montanha para ver o mundo lá do alto. Uma vai a pé e a outra pega o bonde. Enquanto uma chega tranquila e descansada, a outra suada e exausta. Só que elas terão feito experiências diferentes: a que pegou o bonde fará a experiência extraordinária de ver o mundo de cima da montanha, sim, mas a que subiu a pé terá algo mais: ela terá feito uma conquista, constatará que pode caminhar com as próprias pernas, mesmo quando o caminho é difícil, além de fazer um bom exercício físico, muito bom para sua saúde.

As duas opções são legítimas e não há nada de errado em pegar o bonde, mas é preciso ter consciência de que, apesar de partirem do mesmo ponto e chegarem ao mesmo destino, os dois caminhos são diferentes. Ambos levam ao topo, mas os dois não fazem crescer da mesma maneira. O importante é saber qual o próprio objetivo: se você só quer apreciar a vista lá de cima, suba de bonde (caminho mais fácil). Mas se você quer mais que isso e deseja conhecer os próprios limites (autoconhecimento), suba a pé. Só não vale pegar o caminho mais fácil e querer conquistar as duas coisas. Isso não funciona.

E se você agora pensa na Ladeira da Preguiça e acredita que o problema é subir e que descer seria mais fácil, fique sabendo que isso nem sempre é verdade. Prova disso é o nome de outra ladeira de Salvador, a Ladeira Quebra Bunda, que mostra o quanto descer também pode ser arriscado 😉

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Gustl Rosenkranz
Blogueiro brasileiro residente em Berlim.

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