“Sonhos banhados à vinho tinto”

Imagem: nd3000/shutterstock

São dez horas da manhã e meu despertador berra pedindo socorro. Acho que exagerei na dose do vinho. Minha cabeça dói e ainda estou um pouco tonta. E ali está você, dormindo na minha cama de lençóis brancos, feito um anjo. É impossível não te olhar enquanto você dorme e querer amar e beijar cada linha do teu rosto.

Nós poderíamos nos casar, sabe, ter um apartamento de primeira viagem todo nosso, no térreo, pra quando resolvêssemos dançar o vizinho de baixo não viesse reclamar sobre barulho dos pés no chão da sala. Poderíamos dividir os afazeres, e escolher a cor do carpete. Seriamos bons discutidores, mas nada que um beijo na frente do vendedor não resolvesse. Quando o despertador tocasse às 6 horas da manhã, você adiaria pra mais 10 minutos, e eu pra mais meia hora. Assim acordaríamos atrasados pra trabalhar e disputaríamos quem tomaria banho primeiro, fazendo um convite tentador. Você aqueceria o chuveiro enquanto eu, indecisa e atrapalhada, ficaria frente ao guarda-roupas decidindo o que vestir. Então você me agarraria do quarto ao banheiro e tomaríamos banho juntos.

Eu poderia deixar o paciente do primeiro horário puto da vida pelo meu atraso, mas o água estava tão quente com nossas temperaturas se abraçando, inevitável. Eu te deixaria no trabalho e seguiria pro meu. No final do dia te esperaria na porta do estúdio, toda de branco do lado de fora do carro, só pra ganhar um beijo e um abraço apertado, daqueles que levantam do chão. Mas antes de ir pra casa, o desafio seria decidir o que comer, algo pré-pronto porque o fogão ainda não haveria chegado. No final do dia você poderia me fazer uma massagem, mesclando mordiscadinhas na nuca, pra me relaxar e me acender ao mesmo tempo. Faríamos amor na nossa cama desarrumada, que nem lembramos de esticar os lençóis antes de sair. Depois, enquanto o jantar ficasse pronto, poderíamos zerar a garrafa de vinho que ganhamos do seu amigo entendido de bebidas. E então veríamos um filme, abraçadinhos ouvindo o barulho da chuva batendo na janela. Eu não teria medo de dormir aquela noite, porque estaria no meu porto seguro. Não teria pavor dos ventos, porque estariam anunciando a chegada de uma nova vida pra nós. Naquela noite eu ficaria tranquila, e os dias depois dali também, porque eu saberia que mesmo na correria, e quando eu não quisesse muito ficar com você, você estaria ali, do início ao fim do dia.

Mas agora você acordou, e eu guardei meu sonho dentro do teu olhar novamente, como sempre o fiz. Guardei no teu olhar porque ele sabe analisar os caminhos por onde andamos, e ele saberá sempre conduzir meu sonho, que um dia poderá ser nosso.

Minha casa parece rodopiar nas taças de vinho que tomamos sábado a noite. Me levanto, visto meu hobby, abro a cortina do quarto e me direciono ao banheiro da suíte…

“Vou tomar um banho. Você vem?”

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Ana Carolina Santos
"Fisioterapeuta por formação e de coração; Virginiana com ascendente em Peixes; Cantora por hobbie; Apaixonada por Teatro Mágico e fotografia. Romântica, sensível, e apimentada. Menina mulher, de uma Fé inabalável."

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