O problema de namorar é querer levar uma vida de solteiro

Imagem de capa: conrado, Shutterstock

Eu já me envolvi com uma pessoa que tinha namorada (sem que eu fosse informada desse “detalhe”). Lembro exatamente do momento em que o meu mundo caiu. E o que eu posso dizer sobre isso é que eu sofri. E eu sofri foi muito.

Primeiro eu sofri quando eu descobri que o rapaz tinha namorada, visto que eu fiquei meses e meses nesse envolvimento sem sequer desconfiar que havia uma terceira pessoa nisso. Aliás, a terceira pessoa era eu. Ao que tudo indica, eu é que cheguei depois. E isso só intensificou o meu sofrimento na época. Sofri também porque além do envolvimento, eu acabei sendo exposta com essa situação; eu e minha dor, é claro. Meu coração sangrou, meu mundo se desfez por uns tempos e eu tive que refazê-lo depois. Sozinha e com sequelas emocionais.

Sei que a outra garota também sofreu. E apesar de ela ter me chamado de “retardada” quando eu a contei que estávamos sendo enganadas pelo mesmo cara, sei que ela estava tão desavisada quanto eu, e eu não posso culpá-la por ter descontado a sua raiva em mim. Eu poderia vê-la como uma inimiga. Mas o problema definitivamente não era ela. E o problema definitivamente não era eu. O problema todo foi ele e a sua falta de verdade e empatia.

Acredito também que ele tenha sido quem menos sofreu com tudo isso. Talvez nem tenha sofrido, o que é mais provável.

O que eu concluí com esse desagradável capítulo da minha vida é que as pessoas querem namorar, mas são tão inseguras que querem ter um relacionamento “monogâmico” sem abrir mão dos contatinhos por trás.

Querem ter uma garota como namorada, mas também querem ter Tinder para azarar as garotas solteiras. Querem ter alguém que lhes diga um “Eu te amo”, mas querem ter vários “alguéns” a quem possa dizer: “Topa um encontro hoje à noite?”.

O problema não é namorar.

O problema não é ser um solteiro que curte a vida conhecendo várias outras pessoas.

O problema é namorar e querer levar uma vida de solteiro, magoando quem te ama e envolvendo outras garotas legais e desimpedidas na sua vida somente para usá-las para fugir do tédio e de si mesmo.

Sabe quem faz isso? Não são os caras fodões. São os caras fracos, extremamente fracos, mas que se acham fodões.

Eles são tão fracos que nunca conseguem ficar sozinhos com eles mesmos. A verdade é que nem eles suportam suas próprias companhias. Então eles procuram ocupar os seus vazios com o máximo de garotas possível. E o mais triste é que geralmente essas garotas são incríveis. Aí o estrago está feito. É apenas questão de tempo pra gente ver pedaços de corações espalhados por aí…

Eu fiquei um bom tempo recolhendo os pedaços do meu.

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Nat Medeiros
“Sou personagem de uma comédia dramática, de um romance que ainda não aconteceu. Uma desconselheira amorosa, protagonista de desventuras do coração, algumas tristes, outras, engraçadas. Mas todas elas me trouxeram alguma lição. Confesso que a minha vida amorosa não seguiu as histórias dos contos de fada, tampouco os planos de adolescência. Os caminhos foram tortos, íngremes, com muitos altos e baixos e consequentemente com muita emoção. Eu vivo em uma montanha-russa de sentimentos. E creio que é aí que reside o meu entendimento sobre os relacionamentos. Estou em transição: uma jovem se tornando mulher experiente, uma legítima sonhadora se adaptando a um mundo cada vez mais virtual. Sou apenas uma mas poderia ser tantas que posso afirmar que igual a mim no mundo existem muitas e é para elas que escrevo: para as doces mulheres que se tornaram modernas mas que ainda acreditam nas histórias de amor.”

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