E se for amor desta vez, faço o quê?

Imagem de capa: Rido, Shutterstock

Queria que ele percebesse todas as vezes que encaro seus olhos e namoro suas retinas marrons. Queria que ele soubesse toda a bagunça que há em meu peito todas as vezes em que se aproxima de mim sem motivo algum. E se eu estiver realmente apaixonada por aquele sorriso bobo? E se foi amor à primeira vista? Será que ele vai gostar do meu sorriso como eu amo o dele? Será que vai aceitar meus defeitos? Será que ele sabe que já quebrei a cara algumas vezes, e sou um tanto medrosa quando o assunto é mudança?

E se for amor desta vez?

Queria que ele soubesse o que meu coração insiste em gritar – em todos os tons – quando ele fica uns metros perto de mim. Queria que ele soubesse que tenho coração frágil, e que precisarei de mútuas horas – ou até meses – de afetos e carinhos, até recuperar os pedaços deixados ao chão. Mas e se ele nem me notar? Será que vai perguntar meu nome? Será que vai me chamar pra jantar em uma ocasião especial? Será que aquelas retinas marrons já cruzaram com as minhas e ele nem notou? Será que agora, sentado, ele sabe que eu, aqui sentada, tenho tanto pra dizer a ele?

Queria saber dos sonhos dele e queria fazer parte deles, também. Queria conhecer um pouco mais daquele sorriso bobo, tocar um pouco mais aquela pele morena, encarar mais ainda aquelas retinas marrons. Queria saber seus gostos musicais, dos seus livros preferidos. Se já se apaixonou assim, á primeira vista por alguém. Queria conhecer seus defeitos e juntá-los aos meus. Seríamos defeituosos juntos. Queria apresentar meus medos e conhecer seus remendos.

Queria saber mais do dia-a-dia dele.
Mas ele nem me notou.
Me olhou, mas nem me viu.

***

Queria saber mais do dia-a-dia dela.
Mas ela nem me notou.
Me olhou sem ver.

E se for amor desta vez?
Faço o quê?

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Pedro Ficarelli
Me chamo Pedro Ficarelli, tenho 25 anos e curso Letras. Garoto bobo apaixonado pela escrita e pelos contos do Gabito Nunes. Pernambucano de Olinda, carismático com um quê de romântico. Escrevo por vida desde moleque tímido com um sonho, de uma dia, minha palavras chegarem a teus ouvidos e visitarem teu coração. Escrevo para pôr palavras onde a dor se faz insuportável. Seja bem-vindo ao meu mundo, o nosso, onde um pouquinho de mim, somado a um pouquinho de ti, torna-se bastante de nós.

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