Coração puro, alma de artista

Vivo parafraseando o que vejo por aí, e daí vem minha inspiração, – respondendo a quem me pergunta -. Então me deparo no meio da madrugada com uma entrevista com a Marisa Orth, o título me chamou a atenção. Dizia: “Ninguém chega à maturidade sem levar pelo menos um pé na bunda! Daqui de cima, vi várias feridas”, disparou ela.

– Uffa que alívio! -.

Não há nada de errado em viver histórias com final, sobretudo aquelas que você sai juntando o que é seu pela casa, o vaso de planta e as camisas penduradas. Bate a porta, vira as costas e segue perdido. O pé na bunda é a ressaca de um amor intenso, é o preço que se paga por se embriagar, sorrir e gozar. Você acorda dizendo que nunca mais vai beber, mas, isso dura até o próximo final de semana. Sou um ébrio que se inunda de amores alheios e curtos, e já levei pés na bunda com prêmio de consolação, debaixo do braço trouxe um torturador cachorro de pelúcia com o perfume dela. Continuo bebendo, e amando.

Na cama com minha melhor amiga, ambos olhando para o teto. – Eu, cheguei pela manhã gelado após uma noite de aventuras e um banho de chuva, Ela, gelada de uma noite vazia -. Trocamos relatos e conclusões de quem vive a vida com intensidade. – Eu, velho aos 24, ela à flor da vida aos 47 -. Ambos carregando uma série de contos sobre histórias intensas, embriagantes e manhãs de ressaca, de deserto na garganta e desejo de nunca mais amar, mas a gente ama. – Não desistimos -.

E o que nós levamos da vida se não estas histórias? Hoje, no ímpeto da maturidade, entrego uma alma leve frente o mundo. Dane-se o jornalista interiorano, de blazer e cabelo penteado. A vida é só floreio, abraços e beijos, – se você tiver coragem -. Marisa, na entrevista ainda emendou. “Ah, o poder cicatrizante da pista de dança… Isso os gays me ensinaram”, disse. Toca o “Foda-se” e guarde seu melhor sorriso pra soltar frente o espelho, pois quanto mais o mundo lá fora te conhecer, mais vai te atingir. Pare de beber, mas em hipótese alguma pare de amar.

Vai por mim. Para falar de amor, ninguém precisa ser especialista, basta ter um coração puro e uma alma de artista. A gente encena amores verdadeiros, chora quando quer, ri quando quer, finge que dói e que já passa. A gente até morre e vive outra vez, porque o mundo está aí, de cortinas abertas pra vivermos novos personagens, levar o amor e os sorrisos pra quem quiser ver. E aí se eu parecer um palhaço? A gente não protege a bunda dos pés que virão, pois quem tem coração puro não espera nem plateia, nem aplausos, vive pelo que faz sorrir.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “O palhaço“.

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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