Conhecer para namorar? Namorar para conhecer? Namorar para casar? Ou casar para namorar para sempre?

Imagem de capa: Stock-Asso, Shutterstock

Existem tantas coisas à rondar essas expressões. Detalhes sórdidos, límpidos, impressionantes e, graciosos também.

Instruída por uma pedagogia repressiva, repleta de pormenores errôneos, impostos por achismos formadores de caráter, sempre tive um modelo taxativo de proposta de vida, que me custou muito sofrimento ao longo dos últimos dez anos. As entidades instrutoras me ensinaram à conhecer para namorar, namorar para conhecer, e consequentemente caminhar rumo ao matrimônio. Tive referências, e me decepcionei comigo mesma, quando não conseguia manter o paradigma. Já julguei conhecer pessoas que me surpreenderam com seu verdadeiro eu, outras sei que não conheci nem metade do que realmente são. Algumas já soube desde o primeiro instante que não se encaixaria no meu mundo. Outras, me desgastei querendo forçar a permanência, apertando daqui, moldando dali para que o encaixe acontecesse.

Hoje, com tamanho know-how, sei que conhecemos somente aquilo que nos expõem, aquilo que nos permitem conhecer. Ninguém mostra sua face 100%. E me lembro da frase pesando à destreza e verdade, de minha mãe “Você pode viver 50 anos com uma pessoa, nunca vai conhecê-la totalmente”.
Mais uma vez, ela estava com a razão. Minha mãe, apesar de gostar das coisas muito certas, sempre compartilhou de alguns de meus pensamentos e minha forma de enxergar as coisas. Fico impressionada com tamanha inteligência.

Ela e meu pai, somam mais de 30 anos de matrimônio, e até hoje me deparo com expressões surpresas de minha mãe para com ele. Todos os dias eles se (re)conhecem um pouco mais.

Me lembro também, de ouvir uma história bizarra (hoje por mim, considerada super normal) sobre um casal, cujo namoro durou 14 anos, e não souberam manter um casamento por mais de 6 meses. A esposa do casal em questão, após a separação, conheceu, namorou, e casou num intervalo de 1 ano. E adivinha? Faz no mínimo uns 4 anos que essa história chegou até mim, e eles continuam casados.

Sorte? Não, Deus!

Porque quando é de Deus, a gente sabe. É preciso passar pela desgraça, para saber reconhecer quando o amor da sua vida chega. Mas porque algumas pessoas namoram tanto tempo, depois casam, e isso tudo dura? Porque Deus tem um propósito diferente na vida de cada um de nós.

Eu nunca quis conhecer para namorar, e sim namorar para conhecer, apesar de me submeter à essa ordem todas as vezes para não entregar meu altar particular à qualquer um. E, ainda assim, sabendo que não dá para conhecer 100% do outro, desisti de namorar muito, para conhecer muito, para casar. Aprendi a colocar os ingredientes certos na balança, e saber o que o amor é capaz de abdicar para ter aquela pessoa na minha vida. Graças dou, por ter a inteligência e a astúcia extremamente aguçadas.

Por isso, sendo transparente ao extremo desde o início, sempre lutando contra a vergonha para que o outro me conhecesse a fio, o máximo de mim, afastei todo aquele que não saberia me amar como mereço ser amada, todo aquele que não saberia valorizar o que me empenhei tanto para valorizar em mim mesma.

Um cara pode ter a beleza dos Deuses, ser bom de cama, cheiroso, e ter um ótimo gosto musical. Mas descarto se não souber manter sua palavra. Mais ainda, se se esquecer de me conquistar todos os dias, ao pensar que triunfo se findou. Pode ter a melhor casa, o melhor carro, mas de nada me interessa se não souber me acompanhar a pé num dia de chuva, segurando a sombrinha, nem dormir num hotel meia boca só porque não podemos pagar um 5 estrelas numa viagenzinha qualquer.

Ele pode até ser xucro quando a paciência lhe faltar, contanto que ao me ferir sinta a mesma dor, e volte com uma mensagem de boa noite com “Não quero que fique mal. Durma com Deus. Amo você.”. E que entenda, que isso irá acontecer muitas vezes ao longo da vida, mas que se o sentimento for maior, saberá como contornar… SE realmente o sentimento for maciço o bastante.

Amor não é banhado à graça. Exige inúmeros sacrifícios.

Um dia a gente reconhece nosso par. Junta detalhes, faz comparações SIM, não perante o outro, mas como reconhecer o que é melhor? A menos que tu seja mágico, não vejo outra maneira. A gente conhece o outro em face de trenagem anterior, aprende à avaliar de acordo com o que diz, com o que pensa, de acordo com as ações, os humores, e seus projetos de vida. Ao meu par, digo, que o conheço muito mais do que pode imaginar, a despeito de demonstração. Sou astuta. E é por isso que nos damos tão bem. Nossa personalidade foge dos nossos lugares pré determinados no zodíaco, se encontra nos nossos alicerces e faz amor indômito nas nossas raízes.

Não precisei de muito tempo para conhecê-lo afim de me permitir ser namorável por ele, justamente porque ele respondeu à minha provocação de ser “inamorável”. Ele mesmo me parabenizou pela maturidade contida em poucos anos, porém parece se esquecer dela algumas vezes. E isso me confirma a realidade do passar dos anos. Me confirma a necessidade de viver outras coisas. Me aguça o olhar. E me concretiza que não preciso de mais tempo.

Nossa ligação é absoluta, e me parece obsoleta.

Nossos mundos repletos de pessoas ideais. Nosso íntimo é apaixonável. Nosso existir, adaptável.

Eu posso optar. Ele também. Tenho um mundo à desbravar. Ele também.

Mas ele me faz enxergar além. Quando olho para ele, imagino meus filhos. Antes, tudo aquilo que um dia sonhei também.

Fiz dele minha escolha. Mesmo tendo muitas opções. Tudo aquilo que lutei sozinha para construir, embrulhei no laço mais bonito para presenteá-lo. Inclusive meu amor próprio, que presenteará nosso enlace com limites, ensinando-o sobre meu conceito de respeito, que naturalmente pode não ter o mesmo contorno do dele, apesar de serem bem parecidos. Minha escolha foi abrir mão dos preconceitos instaurados em mim, para me permitir expandir meu âmbito. Minha outra escolha foi desengavetar os meus sonhos e assim dizer…

Me caso contigo para namorarmos para sempre, e assim nos (re)conhecermos cotidianamente, enquanto nosso amor for capaz de escolhermo-nos um ao outro, todos os dias.

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Ana Carolina Santos
"Fisioterapeuta por formação e de coração; Virginiana com ascendente em Peixes; Cantora por hobbie; Apaixonada por Teatro Mágico e fotografia. Romântica, sensível, e apimentada. Menina mulher, de uma Fé inabalável."

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