Você me achou pouco, mas eu fui muito mais do que você merecia

Imagem de capa: Cristian Zamfir, Shutterstock

Fico pensando em tudo que poderia ter sido. Tudo que poderíamos ter vivido e que você não quis. Passei meses tentando encontrar explicações, e quer saber, mesmo tendo passado tanto tempo ainda não as encontrei.

Afinal, você mesmo disse que eu te conhecia melhor do que qualquer outro ser humano. Fui um divisor de águas na sua vida. Palavras fortes e suas, não minhas.

Então pode me dizer por quê?

Uma das razões eu conheço. Ou melhor, suspeito. Eu não fazia parte do seu mundo. Éramos (e somos ainda) muito diferentes. Parece extremamente antiquado falar que nossas classes sociais não são as mesmas, mas senti isso na pele e, portanto sei do que estou falando.

Festas, jantares, viagens internacionais (mais de uma ao ano)… Eu não conseguiria acompanhar.

Tudo isso me faz concluir que você não quis. Me achou pouco. Como iria apresentar para os seus pais alguém que mora em um apartamento de pouco mais de 40 metros quadrados, acorda às 6 horas da manhã todos os dias e no final do mês aperta o que pode para pagar todas as contas?

Você nunca precisou fazer uma entrevista, pegar um ônibus lotado para chegar ou voltar do trabalho, escolher qual conta vai atrasar o pagamento. Sinta-se privilegiado.

Realmente você não quis. Não quis enxergar todas as qualidades da mulher que estava ali à sua frente. Eu te dei o que de mais precioso tenho: meu coração. Me doei, me entreguei, ao me apaixonar quis conhecer você de todas as formas, esperei que você valorizasse cada passo meu em sua direção.

Se você tivesse olhado além de status e posição social, quem sabe as minhas chances teriam sido maiores. Se olhasse pra mim lá no meu interior, tenho certeza que teria o maior orgulho de me apresentar pra sua mãe. Faria de tudo para não me perder se tivesse tido coragem.

O meu sentimento hoje é de serenidade. Sei que fiz tudo que podia, tudo que estava ao meu alcance. Dei o meu melhor, você teve o meu melhor.

Pode ter achado pouco, mas quer saber? Foi muito. Foi mais do que você merecia, foi muito mais do que vai conseguir encontrar em outro alguém.

Talvez daqui alguns anos, quando estiver sentindo-se sozinho e querendo encontrar alguém, vai lembrar de mim. Vai lembrar dos nossos momentos, risadas, conversas e da nossa química avassaladora.

Eu te dei muito, em troca recebi pouco ou quase nada. Hoje não aceito mais migalhas. O muito que um dia foi seu, só será de quem souber retribuir na mesma moeda. E, nesse caso, a moeda do sentimento, do carinho e da reciprocidade. E estas meu caro, não compram viagens à Paris, nem bebidas e roupas importadas. Podem não ter valor comercial, mas pra mim foram e sempre serão as mais importantes.

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Raquel Lopes
Gaúcha, engenheira de alimentos por profissão, escritora nas horas vagas. Capricorniana que ao contrário do que diz a astrologia, não tem um coração gelado, mas sim feito de manteiga. Apaixonada por cervejas artesanais, viajar, cozinhar e ir para a academia. Em matéria de amor já faltei aula, já fiquei em recuperação, já repeti o ano e também já fui aprovada com louvor. Acredito que o amor é o que move o mundo e através dele é que a gente evolui. Posso ter quebrado a cara algumas vezes, mas em todas elas eu me refiz. Uma definição de mim mesma? Fui e continuarei sendo uma romântica incurável.

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