Precisamos dar tempo ao tempo

Imagem de capa: GaudiLab, Shutterstock

O tempo é um grande amigo e sábio, acredite. Tem fama de cruel e implacável, mas o que apenas faz é passar serenamente e nos transformar, se deixarmos para melhor. Com ele, quase tudo se aquieta, se ajeita, se resolve. Ele mostra um desfecho certo para nossos dilemas e dificuldades. Ao invés de brigar com ele, devemos tê-lo como um aliado.

Se o tempo passa rápido ou é mal aproveitado, depende de nós. Às vezes temos que correr contra o relógio para dar conta do que necessitamos e queremos. E aí exageramos. Quem nunca pensou como o dia poderia ter trinta horas?! No fundo, porém, precisamos é dar tempo ao tempo – para que as sementes brotem, os ressentimentos cessem, as feridas curem, os ciclos se fechem e as portas se abram.

Com o tempo, a gente percebe que deve respeitar a natureza das coisas, das pessoas, dos dias. Há tempo de sorrir e tempo de chorar, tempo de se esconder e de se mostrar, tempo de agir e de esperar. Esperar – bem diferente de se acomodar – nos ensina a ter paciência. Disso vem a esperança, esse sentimento tão próprio do tempo.

Por mais descrentes que estejamos, precisamos lembrar que do breu da noite sempre virá a claridade do dia. Cada novo amanhecer, faça sol ou chuva, poderá nos despertar para uma nova ideia, uma surpresa, um novo tempo. O maior milagre é que o tempo revolve tudo em nós. No exato momento em que se torna passado, o presente dá lugar ao futuro. Somos essa mistura de tempos.

O tempo é engraçado e sábio. Nos prega peças e nos dá lições, e isso fica claro nas histórias que se repetem, se invertem, se apequenam ou se agigantam. Pelos ares dos dias, meses e anos ele carrega nossas ações, palavras e pensamentos, trazendo-os de volta feito bumerangues em seus ventos. O tempo parece brincar, quando nos pune, nos recompensa ou simplesmente se esvai. Criança vira adulto, adulto vira criança…

De repente, vemos como o tempo voou e então nos tocamos que estávamos distraídos ao viver. Sim, porque é preciso atenção ao que o tempo nos oferece e ao que passou (bons e maus tempos). Ele leva e traz pessoas e momentos importantes para nós, deixando suas melhores marcas: as lembranças e a saudade. O tempo pode passar e, mágico, ficar para sempre.

Ele leva o viço de outrora, mas, se permitirmos, nos traz uma beleza especial: a consciência de sermos melhores do que antes. Ele mostra o que nos cai bem – uma roupa, uma atitude, uma companhia… -, e nos afasta do que nos faz mal. Por experiência ou intuição, uma hora a gente aprende a não perder mais tempo com o que não vale a pena ou não nos merece. A gente aprende a ter sabedoria para viver.

Acerte os seus ponteiros com o tempo e permita que ele seja seu mestre e conselheiro. Enquanto ainda há tempo!

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Nadja Bereicoa
Por destino, desejo, dom, todos os rumos de minha vida me levaram a escrever. Sou uma jornalista por vocação que tornou-se também advogada e desde criança, enquanto criava historietas, sonhava em escrever novelas e romances. Ainda não realizei esse sonho, mas há dois anos dou vazão ao meu lado escritora, expondo crônicas e poemas (muitos de décadas atrás). Desde 2014, publiquei um livro de poemas, lancei um blog de crônicas e prossigo nos caminhos da escrita criativa, cada vez mais sem amarras, sobre o que penso, sinto, observo ou invento. É a minha terapia. Como diz o verso de um dos meus poemas, "Escrevo porque é o que de melhor eu sei fazer. E, se assim não fosse, eu nunca conseguiria dizer...".

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