Não confunda “aceitar” com “compreender”

Imagem de capa: Zivica Kerkez, Shutterstock

A gente não precisa do reconhecimento do Outro para saber o valor que temos. Podemos compreender uma situação e não aceitar uma atitude. Podemos julgar um comportamento sem desvalorizar, por inteiro, a pessoa que o exerceu. Que cada um se responsabilize pelas suas mazelas e que administre a sua raiva ou irritabilidade. Não precisamos de plateia e nem de ser plateia do que é cáustico. Entupir-se de citações de espiritualistas e filósofos não nos faz mais sábios. As nossas atitudes denunciam o que apreendemos verdadeiramente. O que nos faz mais sábios é o nosso comportamento: quando genuinamente amoroso. Mude seu discurso se você não consegue incorporá-lo. Não cobre do Outro o que não é capaz de fazer e nem se deixe ser cobrado. Seja honesto consigo, viva a transparência por pura leveza de Consciência. Não sejamos inescrupulosos agindo de maneira conveniente com quem não nos espelha e descontando nossos desconfortos em quem nos ama e apoia; em quem achamos que não se afastará de nós por pura compreensão. E não aceite, embora possa compreender, um problema que não é seu. Não se torne o problema que o Outro criou para vocês. Separe as coisas: investigue-se, reflita, seja atencioso com a sua conduta. E reconheça se estiver errado. Mas devolva, mentalmente, quaisquer atitudes que o fizerem se sentir menor. Esteja ao seu lado para crescer ou ajudar a quem quiser sua ajuda. Cresça com esta ajuda sem se regozijar por tê-la dado. Esteja em consonância com o que acredita e, tente acreditar no melhor: se permita.

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Marla de Queiroz
Marla de Queiroz, brasileiríssima, é marlabarista de palavras. Simples e complexa como a contradição. Negra-índia urbana: fruto improvável de nó de intelecto e calo de mão. Seus versos vêm da imagem, do amor, da saudade, da contemplação. Com estética e sotaque próprios, nascem em Brasília e deságuam no Rio de Janeiro. Ler Marla é sentir a confortante sensação de que não estamos sós. É saber que temos alguém por perto para expressar o que sequer conseguimos sentir. (André Averbug)

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