Ano que vem vou fazer diferente

Imagem de capa: arek_malang, Shutterstock

O ano chegou ao fim e, olhando para trás, penso em tudo que fiz e vivi. Houveram momentos lindos e sofridos. Saí vitoriosa, mas também perdi algumas batalhas, faz parte. Fiz novas amizades gaúchas, que hoje, são preciosas e aprendi um bocado de lições. Realizei sonhos e tirei projetos do papel. Foram muitas emoções, mas não realizei tudo que meu coração desejava e a culpa foi minha. Fui deixando tudo para depois.

Depois eu vejo, depois eu faço, depois eu ligo, depois eu falo. Depois eu vou, depois eu penso, depois eu resolvo, depois eu escrevo. Foram tanto adiamentos que a vida se adiou. O “depois” nunca chegou e eu não realizei nada. Não fiz e não falei tudo de deveria. Não vi e não fui onde queria ter ido. Não li o que precisava ter lido e não escrevi o que desejava ter escrito. Acabei por dizer: “Depois eu me desculpo”.

Ano que vem vai ser diferente. Eu vou parar de ser espectadora para ser a protagonista e diretora do filme da minha vida. Preciso dar o primeiro passo e não quero mais esperar. O roteiro é meu e vou colocar reviravoltas nesta história. As lágrimas e mágoas não podem mais conduzir os rumos que me levam. Eu sou dona do meu destino e a felicidade só depende de mim. Preciso realizar hoje, não posso mais esperar o amanhã, nem sei se ele chegará mesmo.

Vou mudar o tapete velho da sala que me incomoda e doar as roupas que não uso mais e me apego por motivos banais, lembranças empoeiradas. Vou perdoar os que me feriram e dar esse perdão de presente ao meu coração. Vou aprender a andar de bicicleta e assistir Star Wars, que sempre minto que já vi. Vou dizer “eu te amo” aos meus amigos amados e explicara para minha mãe o quanto ela é importante na minha vida.

Vou começar a escrever o livro que está estruturado na minha cabeça, mas não encontrei tempo para colocar no papel. Vou mudar a rota, o destino e a estrada. Vou me matricular no Pilates, no Italiano e no curso de paraquedismo. Chega desse medo bobo de altura. Está na hora de me arriscar mais. O medo nunca me levou a lugar nenhum, muito pelo contrário, só me atrasou.

Acima de tudo eu vou aprender com os erros e tropeços, as noites em claro não vão mais consumir minha energia. Está na hora de parar de levar desaforo para casa, não vou mais engolir sapos enormes e passar os dias engasgada com o que devia ter dito e não disse. Vou aprender a desculpar, sonhar, relevar e até amar. Quero reaprender a mergulhar no outro e me entregar. Quero deixar os equívocos no passado e permitir que o futuro seja recheado de alegria e atitude. Eu tenho essa mania de acreditar: tudo pode ser melhor e será.

Na virada do ano eu me viro. Viro o copo, viro bicho, viro mulher e viro artista. Viro onça e viro o jogo. Viro a vida do avesso para, assim, virar a página.

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Monika Jordão
Atriz, escritora e paulistana. Acredita que o papel reflete mais do que o espelho. Apaixonada por livros, futebol, tequila, café e Coca-Cola. Buscando sempre o equilíbrio emocional e os amores inesquecíveis.

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