Você não pode controlar tudo

Há um tempo eu desativei aquele recurso de visualização que deixa os dois pontinhos azuis no WhatsApp. Eu estava com a cabeça atribulada, queria sossego e queria tempo para responder as pessoas sem a pressão daquele que vê os sinaizinhos azuis e manda uma série de pontos de interrogação que querem dizer: “Eu vi que você leu”. O problema nisso tudo é que eu também perdi o controle sobre isso e passei a não ver se minhas mensagens não foram vistas ou foram lidas e simplesmente ignoradas. Eu percebi que não ter o controle sobre isso me deixou sereno e mais respeitoso com o espaço e o tempo alheio.

Eu sempre fui um tanto quanto manipulador, não pelo lado ruim, me entenda, mas até ensinei para algumas pessoas como ter o controle sobre alguém que você quer ter nas mãos, e funcionou, elas disseram. Eu sempre alertei que quando você conquista o controle perde o interesse, essas coisas não andam juntas e o que mais nos mantém interessados é exatamente aquilo que não podemos prever ou controlar nas pessoas. Exercitar o controle sobre alguém nos leva exatamente ao contrário, nos deixa exigentes e nos faz buscar exatamente aqueles seres rebeldes, sem amarras, aqueles olhares que não podemos forjar.

Você rói as unhas esperando uma mensagem, não tem respostas para os seus “Boa noites”, você briga, manda à merda mentalmente, fica o dia todo sem mandar nada bancando o durão e de repente, de surpresa recebe uma mensagem que te deixa parecendo um bobo, aquele misto de raiva e alívio. É que às vezes a pessoa nem quer compartilhar o dia inteiro dela contigo, isso não quer dizer que ela não goste de você. Às vezes, ela não quer nada contigo mesmo e te responde por conveniência e educação e você precisa aprender lidar com isso. É que na vida não acendem dois pontinhos coloridos dizendo que a pessoa está interessada ou não e você se mantém ali exatamente porque não pode prever. Que graça teria se prevíssemos o futuro? Desistiríamos antes se soubéssemos do fim ou ainda assim insistiríamos?

É que a gente precisa deixar de tentar prever as pessoas. É preciso parar de mecanizar o sentimento com medo de se entregar demais ou de menos, com medo de errar por falta ou excesso. É preciso parar de tentar ler a mente das pessoas com uma bola de cristal imaginária e apenas se deixar levar. É absolutamente necessário entender que respeitar a felicidade individual de uma pessoa é entender que há uma probabilidade de que essa tal felicidade não inclua você. Tentar prever o futuro não vai te livrar de um pé na bunda, e minha amiga, é aquela máxima, o não, você já tem!

Esquece o controle. Pega na mão e demonstra mesmo o que sente. Se vai doer ou não você também não pode prever. Não canse as pessoas tentando adivinhar quão efêmera pode ser uma história. Esquece a bola de cristal, o baralho, os búzios e borra do café! Concentra o coração, o amor é mesmo uma montanha russa e o frio na barriga, por mais assustador que possa parecer é aquilo que vai te encher de endorfina e te dar aquela sensação incrível depois de tudo. Sobre o amor e montanhas russas, digo por experiência própria, por mais medo que você tenha, sempre vai querer experimentar outra vez.

@giovanegalvan

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Giovane Galvan

Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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