Procurar pelo amor foi inútil

Procurar pelo amor me foi inútil. O amor me encontrou. Não foi necessário nada além de um coração liberto, aberto e descontraído: o amor foi contraído no momento mais inusitado.

Procurar pelo amor me foi infértil. Deixei minha carência escolher por mim ou torcer para ser escolhida. E o que restou: mais um texto triste, um poema em carne viva.

A procura equivocada me levou para um lugar chamado cansaço. Não havia amor ali naquele abraço. Era qualquer coisa meio juvenil e imatura, onde se busca no sexo a cura sem encontrar realmente intimidade.

Procurar pelo amor também me fez sentir saudade. E por esta sucessão de faltas eu acreditei na força do sentimento que veio com a ausência. Mas eu não havia perdido ninguém, mas abafado, com uma busca desvairada, a minha essência.

E talvez sobrecarregado o Outro. E certamente sobrecarregado a mim. Como haveria espontaneidade assim?

Procurar pelo amor já é finito. Como posso encaixotar numa bússola aquilo que está guardado no infinito?

(Procurar pelo amor me foi inútil. O amor me encontrou).

Imagem de capa: pyrozhenka, Shutterstock

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Marla de Queiroz
Marla de Queiroz, brasileiríssima, é marlabarista de palavras. Simples e complexa como a contradição. Negra-índia urbana: fruto improvável de nó de intelecto e calo de mão. Seus versos vêm da imagem, do amor, da saudade, da contemplação. Com estética e sotaque próprios, nascem em Brasília e deságuam no Rio de Janeiro. Ler Marla é sentir a confortante sensação de que não estamos sós. É saber que temos alguém por perto para expressar o que sequer conseguimos sentir. (André Averbug)

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