Eu me odeio por te amar tanto

Imagem de capa: crazystocker, Shutterstock

Pode soar clichê, mas acredite ou não, essa noite eu sonhei com você. Sonhei que nos dávamos um abraço daqueles, que costumávamos ter…aquele abraço apertado, que faz perder a respiração e que faz com o que mundo volte a girar no sentido certo. Não é pra ser poético, muito menos foi um sonho romântico, parece mais trabalho feito, pra me fazer sofrer. Macumba, ou vudu, não sei dizer.

Eu só sei dizer que meu mundo tá girando ao contrário, que isso me causou profunda dor. Uma dor física, não só na alma, mas uma dor real, pontadas no meu coração, uma dor no estômago, que me doeu todo o meu ser. Acordei com aquela sensação de falta de ar e desespero, pode parecer exagero, mas juro que não…deve dar pena de me ver.
Olhar pro lado e não te ter, também dói. Querer te ligar e não poder, dói demais. Saber que você já nem lembra de nós…dói, indescritivelmente.

Estou caçando palavras pra descrever.

Como é que aquele amor todo virou poeira? Simplesmente deixou de existir de uma hora pra outra? Se desintegrou no cosmos…
Como eu pude ser tão burra e acreditar em você? Em te abrir a minha vida, a minha casa…o meu coração.

Eu não me perdoo. Eu tenho raiva de mim! Eu me odeio, me detesto!!
Porque mesmo depois de tudo, mesmo depois de saber, enfim, o tipo de ser humano que você é, ainda assim, eu te amo. Eu continuo te amando absurdamente.

Eu me odeio por sentir saudade! Essa é a verdade!

A minha cabeça já entendeu que não dá pra ser. Que não existe possibilidade de voltarmos, tomamos um caminho sem volta. Mas difícil mesmo é convencer o meu coração. Nenhum dos meus indiscutíveis argumentos lhe serve.

Eu tenho saído mais que o habitual, quase todas as noites, e a minha vontade é de dormir o dia inteiro. Dormir pra não ver, que enquanto eu estou aqui, no fundo do meu poço, sentada nesse chão, com as lágrimas molhando meu teclado, você está muito bem acompanhado, sendo feliz com a tua nova paixão.

Será que você não pensa em mim, nem por frações de segundos?

Que besteira…sigo sendo uma idiota irremediável.

Eu já tive vontade de te agredir, de partir pra cima, de berrar e te xingar o máximo que eu pudesse, mas hoje…hoje eu mal consigo verbalizar. Eu mal consigo ouvir falar teu nome. Eu mal consigo ficar na minha própria casa.

Nunca imaginei que o “AMOR”, tão propagado e desejado amor, fosse capaz de causar tamanho sofrimento, e logo em mim…logo eu! Que nunca te fiz mal algum, pelo contrário, te entreguei tudo de melhor que eu tinha. Fazem 32 dias e 7 horas, pra ser exata, que você se foi. E nesse tempo, não houve um único dia que eu conseguisse passar mais que alguns minutos sem pensar em você. O tempo parece não passar pra mim. Acho que até ele me esqueceu…

Eu me esqueci. Me doei de mais e esqueci de me guardar, num lugar secreto, um pouco de mim em caso de emergência. Não fiz backup de quem eu costumava ser antes de você. Não me lembro… Não tenho uma cópia de segurança. Agora tudo que tenho são as minhas imortais lembranças. Já tentei mata-las…de raiva; De tédio; De solidão. Mas elas não se vão. Acho que farão morada perpétua.

Eu me odeio por ter feito tantos planos pra nós dois. Eu me odeio por ter ignorado todos os sinais. Por ter desligado meu alerta de perigo. Por ter te perdoado em todas as vezes que você pisou na bola comigo. Eu me odeio por ter sido tão complacente contigo. Eu me odeio por não conseguir te esquecer! E por ainda te querer, e sonhar com você, mesmo acordada…Eu me odeio por ter feito do teu peito morada. E agora me sentir uma completa estranha vagando dentro de mim mesma. Eu me odeio por não ter sido forte o bastante pra ter ido embora na primeira mancada. Por sempre acreditar que da próxima vez, seria diferente. Por ter tentado, e tentado, e tentado, á exaustão. Eu me odeio por ter feito do teu sorriso meu propósito de vida.

Nossa música está no repeat, nossas fotos continuam na parede, e eu não consegui apagar todas do meu computador, deixei algumas, nem sei pra quê, mas me pareceu surreal excluir e apagar todo registro nosso e fingir que nunca existiu. Eu sei que era isso que eu precisava fazer…

A questão é que eu não quero que ninguém saiba, como eu sei que ainda quero você. Eu queria me atirar nos seus braços, te beijar como nunca e fazer amor até o dia amanhecer. Eu realmente não sei como vou seguir daqui pra frente. Eu não posso deixar transparecer.

As tuas correspondências continuam chegando, nossos amigos continuam me perguntando, e teu olhar segue me assombrando. Tua voz segue ecoando, no silêncio avassalador do nosso apartamento. Seu cheiro continua no meu armário e invade as minhas roupas, a minha pele, me rouba o pouco de discernimento que luto pra ter.

É, eu me odeio. Mas eu me odeio muito mais, por não conseguir odiar você.

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Bruna Stamato
Carioca, criada na Bahia, quase paulistana e atualmente moradora de Porto Seguro-BA. Mãe de duas garotinhas lindas, geminiana, ascendente em Câncer e uma eterna sonhadora. Quando me perguntam, sempre brinco com as pessoas, dizendo que eu não sou escritora, apenas passo para o papel o que a minha alma dita. Por tanto, o mérito é dela! Sou aficionada pelas palavras, desde que me entendo por gente, quer dizer, na verdade, até hoje não me entendo direito por gente, mas amo as palavras desde que as conheci e que elas começaram a fazer sentido pra mim.

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