Hurricane

Eu não posso pedir que você fique, não em meio a essa bagunça, não sob os escombros do peso que carrego agora, não justo agora em que vivo meus piores dias. Pedir para você ficar seria muito, muito egoísta e eu jamais poderia admitir o quão realmente sou. Dizer que eu adoraria que você ficasse é o mesmo que pedir para que fique um pouco mais? Sem drama, sem drama – diz minha mente, mentindo novamente.

Mas eu não posso prometer que vai melhorar, que serei mais leve amanhã, que teremos dias tranquilos adiante. Você foi toda a luz que vi nos últimos dias, mas isso não me dá o direito de me agarrar como se ela fosse a última, minha última chance. É por isso que te abraço tão demoradamente. Eu comecei a perde-lo no dia em que te conheci.

Então é isso: você não me ouvirá pedindo, não me verá chorando, sem drama, sem drama – comumente mentindo. Para todos os efeitos estarei sorrindo. Como se não fosse nada, como se não doesse um tanto, como se eu já não estivesse apegado demais para simplesmente seguir em diante. Eu dou um passo covarde e apenas rezo para que você dê o próximo, para que você seja mais forte, porque não sei se sou.

Eu jamais poderia pedir para você ficar. Não sei se isso seria amar direito. Não com tudo caindo à minha volta, não com minhas mãos ainda trêmulas, não com tantas feridas abertas que ferem de volta. Eu sou um rio de medos e jamais pediria pra você entrar. Dizer que vou sentir sua falta é o mesmo que pedir pra você não ir? Vá, mas vá logo. À vida, o que há de ser feito, feito. Disso meu amor já deveria entender bem mais.

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Diego Engenho Novo
Escritor, publicitário e filho da dona Betânia. Criador do blog Palavra Crônica, vive em São Paulo de onde escreve sobre relacionamentos e cotidiano.



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